Obama e Hillary disputam voto de militares dos EUA

Com promessas de um aparatomilitar mais forte e mais benefícios para os veteranos, ospré-candidatos democratas à Presidência dos EUA, HillaryClinton e Barack Obama, passaram a disputar o apoio de umacidade dominada pela 82a Divisão Aerotransportada. Com sua imensa base em Fort Bragg, a cidade deFayetteville, na Carolina do Norte -- cidade cujo mote é"História, Heróis e um Sentimento de Estar em Casa" --,volta-se na próxima semana para as prévias democratas queocorrem naquele Estado. Mas Obama e Hillary, disputando palmo a palmo a vaga dopartido nas eleições presidenciais de novembro, também esperamconquistar espaço entre os militares do restante do país,tradicionalmente um eleitorado mais propenso a votar nosrepublicanos. Além da impopularidade da guerra no Iraque, analistasafirmam que pode ser difícil bater nesse quesito o candidatorepublicano, senador John McCain, um ex-piloto da Marinha eex-prisioneiro de guerra no Vietnã. Os democratas apostam em reiterados eventos de campanha afim de conquistar o voto de alguns membros das Forças Armadas esuas famílias. Obama e Hillary são defensores da retirada dasforças norte-americanas do Iraque. "Eles estão cansados da presença militar lá. Agora chegou ahora de voltar", disse Rebecca Rebrook, coordenadora voluntáriada representação em Fayetteville de Hillary, onde um cartazfeito a mão afirmava, a respeito da pré-candidata: "Você é aminha comandante-em-chefe." Rebrook, cujo marido serviu no Exército durante 20 anos,disse que Hillary beneficia-se do apoio de ex-membrosimportantes das Forças Armadas, como o general aposentado doExército Hugh Shelton, nascido na Carolina do Norte e ex-chefedo Estado-Maior das Forças Armadas. "Esse é um ponto muito positivo para ela", afirmou Rebrook. "É PRECISO HAVER MUDANÇAS" A pré-candidata, senadora pelo Estado de Nova York,apareceu ao lado de Shelton na semana passada em Fayetteville,lar do Comando das Operações Especiais do Exército bem como dafamosa 82a Divisão Aerotransportada, cujos membros vêm sendomandados para servir no Iraque e no Afeganistão. O marido de Hillary, ex-presidente Bill Clinton, realizouum comício nesta semana em Hope Mills, uma cidade próxima. Um homem vestido com um uniforme de capitão do Exército epresente no evento de Bill Clinton disse que havia chances deos soldados votarem nos democratas neste ano porque estãodesiludidos com o Iraque, onde 4.056 militares dos EUA morreramdesde o começo da guerra, em março de 2003. "Os militares estão esgotados, cansados", afirmou ooficial, 38 anos, que não quis ter sua identidade revelada jáque os membros das Forças Armadas não têm permissão demanifestar opiniões políticas em público. "É preciso havermudanças." Há mais de 1,3 milhão de membros das Forças Armadas dos EUAem serviço e outros 1,1 milhão na reserva. Ao tentar angariar votos nesse eleitorado, Hillary e Obamaoferecem propostas semelhantes. Os dois desejam retirar os soldados do Iraque e prometerammelhorar o atendimento médico aos veteranos. Ambos osdemocratas defendem ainda aumentar as forças de infantaria dosEUA, um processo já iniciado pelo atual governo.

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