Obama e Hillary elevam tom de críticas em novo debate

Os democratas BarackObama e Hillary Clinton intensificaram o tom de suas críticasno crucial debate de terça-feira à noite em Ohio, acusando-semutuamente de distorcer opiniões a respeito de saúde pública,comércio e outras questões. Hillary, que precisa vencer na próxima terça-feira asprimárias de Ohio e Texas para manter suas chances na disputapresidencial, partiu para o ataque logo no começo do debate naUniversidade Estadual de Cleveland. Obama, com 11 vitórias consecutivas nas prévias das últimassemanas, reagiu sempre, marcando o padrão de um debate comconfrontos agressivos, mas controlados. Analistas consideram que o evento de terça-feira não devealterar significativamente o cenário eleitoral. O debate foimais acirrado do que o da semana passada no Texas, mas bem maiscivilizado que o embate de janeiro na Carolina do Sul. Hillary manteve as críticas dos últimos dias a material decampanha enviado por Obama a eleitores de Ohio, que segundo eladistorce suas propostas para a saúde pública. "Deveríamos ter um bom debate que use informação precisa,não informação falsa, enganadora e desacreditada, especialmentea respeito de algo tão importante quanto se vamos ou não obteratendimento médico de qualidade e acessível para todos", dissea senadora. Obama também apontou que a adversária costuma distorcer seuplano para a saúde pública. A principal diferença é que noplano dele a aquisição de seguro saúde não é compulsória, ealguns críticos dizem que 15 milhões de norte-americanosficariam sem cobertura. Estima-se que atualmente 47 milhões de pessoas nos EUA(cerca de um sexto da população) não tenham plano de saúde,seja particular ou do governo. Hillary, que já foi favoritíssima para ser a candidatademocrata à Presidência, perdeu a ampla liderança que possuíanas pesquisas de Ohio e Texas, enquanto Obama avançou sobrefatias importantes de seu eleitorado e lidera em número dedelegados para a convenção nacional de agosto. Vendo sua campanha ameaçada, Hillary adotou um tom maisagressivo nos últimos dias, questionando a experiência do rivalpara liderar as Forças Armadas e criticando-o pelo material decampanha sobre os planos de saúde enviado aos eleitores deOhio. No debate, a ex-primeira-dama atacou Obama por afirmar queela apoiou a criação do Nafta (tratado comercial dos EUA comCanadá e México), embora ela agora defenda uma renegociação deseus termos. O Nafta é impopular em Ohio, por ter contribuído com aperda de empregos industriais no Estado. A aprovação do tratadose deu no governo de Bill Clinton, marido da pré-candidata. "Fui crítica ao Nafta desde o começo. Eu não tive umaposição pública a respeito porque eu era parte do governo. Masquando comecei a concorrer ao Senado, fui crítica", disseHillary. Obama insistiu na acusação e prometeu reformular o tratado."Acho que é impreciso por parte da senadora Clinton dizer quesempre se opôs ao Nafta. Na sua campanha ao Senado, ela disseque o Nafta, fazendo um balanço, havia sido bom para Nova Yorke bom para (os Estados Unidos da) América", afirmou.

JOHN WHITESIDES E JEFF MASON, REUTERS

27 de fevereiro de 2008 | 10h08

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