Obama e Huckabee lideram pesquisas

Senador democrata e ex-governador republicano largam na frente na primeira etapa das primárias de seus partidos

Patricia Campos Mello, Cedar Rapids, EUA, O Estadao de S.Paulo

03 de janeiro de 2008 | 00h00

Hoje à noite, os 15 pré-candidatos - 8 democratas e 7 republicanos - enfrentam-se nas eleições primárias mais concorridas da história americana. Pela primeira vez, o caucus (assembléia partidária) de Iowa, que muitas vezes define os indicados de cada partido, não tem um claro favorito nem entre os democratas, nem entre os republicanos. A última pesquisa do jornal Des Moines Register registrou a liderança de Barack Obama, com 32% dos eleitores democratas dos caucus de Iowa, seguido por Hillary Clinton, com 25%, e John Edwards, com 24%, virtualmente empatados. Do lado republicano, o ex-governador de Arkansas, Mike Huckabee, ampliou sua vantagem, aparecendo com 32%, seguido do ex-governador de Massachusetts, Mitt Romney, com 26% e John Mc Cain com 13%. Já na pesquisa Zogby-Reuters divulgada ontem, Hillary está empatada com Obama, seguidos de perto por Edwards, e Romney registra a mesma porcentagem que Huckabee. Segundo Jim Mc Cormick, diretor do departamento de Ciências Políticas da Universidade Iowa State, essa é a primeira vez na história em que não há um claro favorito em nenhum dos dois partidos. "O campo está totalmente aberto e há grandes chances de um empate técnico, com os candidatos aparecendo com pequenas margens de vantagem", disse McCormick. Os candidatos enfrentaram ontem o frio e a neve em busca de uma vantagem de última hora. O mórmon Romney e o pastor batista Huckabee travam uma guerra santa para ganhar os votos dos 40% dos republicanos que são cristãos conservadores. O estilo popularesco de Huckabee, com suas parábolas cristãs, conquistou os eleitores de Iowa. Mas não se sabe se o ex-governador do Arkansas terá fôlego financeiro para manter o impulso até a Superterça, dia em que serão realizadas as primárias em 22 Estados. Ou se sua campanha irá sobreviver ao festival de gafes de política externa. Logo após a morte da ex-premiê do Paquistão, Benazir Bhutto, Huckabee saiu-se com a insensível declaração: "Precisamos monitorar as fronteiras do EUA para evitar a entrada em massa de refugiados paquistaneses." Romney, que também recheia seus discursos com menções da Bíblia, partiu para uma ofensiva contra o histórico de Huckabee em perdões a criminosos e posição fraca em imigração. Apesar do pano de fundo religioso, a imigração é mesmo a grande questão da campanha. Para os democratas, o tema da campanha é a mudança. Todos propõem as mesmas políticas, com poucas diferenças - retirada gradual do Iraque, ampliação da assistência à saúde, regulamentação e ajuda às vítimas da crise de hipotecas. Mas a briga é sobre quem será o grande agente de mudança - alguém com experiência, mas com uma experiência sobre os velhos hábitos de Washington e sem carisma, como Hillary, ou Obama, sem os vícios da velha guarda democrata, mas com pouca vivência. Já Edwards aposta em seu estilo "homem comum contra as grandes corporações" e capricha nos discursos populistas, mas se não ficar entre os dois primeiros em Iowa, terá dificuldade para financiar sua campanha. Os principais eleitores de Hillary no Estado são a população com mais de 50 anos. São pessoas como o aposentado Albert Erwine, que foi ao comício da senadora no Centro Comunitário de Kirkwood. Ele e mais 300 pessoas, a grande maioria acima de 60 anos, aplaudiram a entrada de Hillary e sua filha, Chelsea, após o show de sanfoneiros que tocaram o hit It had to be you com ritmo bávaro. "É a primeira vez que vou votar no caucus, eu sempre quis que Hillary se candidatasse", disse Erwine. "O Obama é bom, mas foi senador por muito pouco tempo - precisamos de alguém com mais experiência e firmeza para consertar o estrago dos oito anos de George W. Bush." A campanha de Hillary bate na tecla da experiência, para diferenciá-la de Obama. "Ela é preparada para ser presidente desde o primeiro dia, não precisa aprender na hora", diz o ex-governador de Iowa, Tom Vilsack. "Não estou pedindo para que façam uma aposta em mim, mas sim que olhem para o meu histórico", disse Hillary, sorridente apesar de um microfone quebrado, ao provocar o rival Obama. Já os comícios de Obama estão lotados de crianças, famílias jovens e gritinhos de adolescentes emocionadas com o sorriso do senador de Illinois. E ele aposta na quebra da dinastia Clinton. Obama desdenha da propalada experiência de Hillary, dizendo que "tomar chá" com primeiras-damas de outros países não qualifica exatamente como currículo em política externa. Sua tática vem funcionando e ele subiu nas pesquisas. Mas resta ver conseguirá vencer a sedutora oferta de "dois pelo preço de um" oferecida pela senadora. "Quando eu e Bill estávamos na Casa Branca, tínhamos o orçamento sob controle, lidamos com assistência à saúde", disse a senadora. DEMOCRATAS32% dos votos dos eleitores democratas do caucus de Iowa seriam para Barack Obama25% dos votos dos eleitores democratas no caucus que começa hoje seriam para Hillary ClintonREPUBLICANOS32% dos votos dos eleitores republicanos devem ir para Mike Huckabee, segundo ?Des Moines Register?26% dos votos dos eleitores republicanos seriam para o ex-governador Mitt Romney

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