Obama e McCain dizem que votarão por pacote

Economia e crise financeira foram os temas da primeira parte do debate presidencial dos Estados Unidos, na noite desta sexta-feira (26), cujo tema central tratava de política externa. No encontro, que durou cerca de uma hora e meia, os candidatos asseguraram que vão votar pela aprovação do plano de resgate proposto pela administração federal e reconheceram que a crise financeira irá obrigá-los, uma vez eleitos, a abrir mão de partes do que gostariam de fazer no governo em face da crise financeira. Os dois candidatos ainda enfatizaram que o plano de resgate proposto pelo governo tem foco na chamada ''main street'', que é a população, e menos nas instituições em Wall Street.Todas as questões e tratados no programa foram escolhidas pelo moderador Jim Lehrer, apresentador da TV pública PBS, que realizou o debate em Oxford, na Universidade do Mississippi. Entre os regulamentos do debate, a platéia não poderia fazer manifestações de apoio nem repúdio durante a sessão. A primeira pergunta feita foi sobre a posição de cada um dos candidatos com relação ao plano de recuperação financeira proposto pela administração federal. "Estamos em momento um decisivo da história, temos de nos mover rapidamente e com sabedoria", respondeu o candidato democrata, Barack Obama. O senador de Illinois enumerou quatro itens que classificou como de "proteção para o contribuinte". Supervisão, garantir que o contribuinte tenha o dinheiro de volta no caso de ter os recursos colocados em risco, assegurar que os recursos do plano não acabem nas mãos de executivos e ajudar os mutuários da casa própria.O republicano John McCain, por sua vez, disse que estava se sentindo um pouco melhor naquela noite em comparação com o que sentia antes. A razão, descreveu o senador do Arizona, é que "estamos juntos, democratas e republicanos, tentando encontrar uma solução." McCain, bem-humorado, disparou uma série de tiradas, fazendo rir até mesmo seu oponente, mas acabou resgatando diversas piadas que já havia utilizado no discurso em que assumiu oficialmente a indicação do partido, durante a Convenção Nacional Republicana.Obama reiterou que estava "otimista sobre a aprovação do plano", mas, antes, frisou o que classificou como "advertências" que havia feito. "Há dois anos eu adverti que por causa da bagunça subprime nos teríamos problemas". "No ano passado, escrevi ao secretário do Tesouro (Henry Paulson) para ter certeza que ele entendia o tamanho do problema", afirmou. "Claro que vou votar no plano", emendou McCain, rápido em apontar que também havia advertido para o que ocorria com as gigantes de hipotecas Fannie Mae e Freddie Mac. "Adverti sobre a ganância corporativa e excessos". "Este não é o inicio do fim desta crise e este é fim do início (dela) se tivermos um pacote que mantenha estas instituições estáveis", disse o republicano. "Temos de criar empregos e reduzir a dependência de petróleo".Obama não perdeu a oportunidade de citar as afirmações anteriores de McCain de que os fundamentos da economia eram sólidos, e o republicano encontrou oportunidade para dizer novamente que algumas das declarações do democrata com relação à política externa eram "inocentes". Quando indagados sobre o que fariam para colocar a economia em ordem, McCain destacou controle de gastos federais e "congelamento" dos mesmos, assim que tomasse posse. "Esta é uma das diferenças principais que temos", afirmou. O democrata reconheceu que era necessário maior controle dos gastos, mas rebateu que aumentaria gastos em educação, por exemplo. Corte de impostos foi a menção seguinte, com Obama atacando McCain, dizendo que este último cortaria imposto para ajudar os ricos e as corporações. O republicano, citando a carga tributária dos EUA, em 35%, rebateu que uma carga tributária menor poderia gerar mais empregos e fazer os negócios crescerem no país.Os candidatos reconheceram que a crise financeira irá, sim, alterar o plano que têm traçado para governar o país. O democrata lembrou que ainda é preciso estimar o Orçamento que teria disponível para o próximo ano. "Não há dúvida que não vamos ser capazes de fazer tudo o que achamos que precisa ser feito", reconheceu Obama. McCain reiterou a necessidade de cortes de gastos federais, mas ressalvou que gasto em defesa é "vital". Em resposta, o democrata devolveu: "foi o seu presidente que conduziu este aumento e orgia de gastos".Na seqüência, o foco do debate mudou para o Oriente Médio, com questões sobre Iraque, Afeganistão, Paquistão e Irã. Depois, na seqüência, o tópico foi relações com a Rússia e 11 de setembro. O moderador queria saber se os candidatos acreditavam se havia uma chance para um novo ataque terrorista como o de 2001. McCain disse que a chance é muito menor, enquanto Obama avaliou que o país está muito mais seguro, mas "há um caminho longo a seguir. A maior ameaça não é míssil nuclear, é (um artefato) vindo em uma mala", falou, para afirmar que o país precisava, sim, de defesa antimíssil. Na despedida, ao final do programa, as esposas dos candidatos, Michelle Obama e Cindy McCain, que assistiam ao debate, subiram no palco e os quatro trocaram cumprimentos.

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