Obama e McCain trocam acusações

Democrata se sai melhor ao abordar crise financeira e republicano ataca inexperiência de rival em política externa

Patrícia Campos Mello, O Estadao de S.Paulo

27 de setembro de 2008 | 00h00

No primeiro debate entre os candidatos a presidente dos EUA, o republicano John McCain questionou de forma agressiva a experiência em política externa de seu rival, Barack Obama, enquanto o democrata concentrou seus ataques na ligação de McCain com o impopular governo de George W. Bush. Na tentativa de retratar Obama como inexperiente e ingênuo, McCain repetiu várias vezes que Obama "não entende" de política externa e o tratou de forma condescendente. Já Obama adotou um tom mais conciliador, dizendo "eu concordo John", mas enfatizando a idéia de que McCain representa uma continuação do governo Bush. O debate, realizado em Oxford, na Universidade do Mississippi, deveria tratar de política externa e segurança nacional. Mas diante da crise econômica e da negociação do pacote de resgate do sistema financeiro no Congresso, a economia dominou os primeiros 40 minutos do debate, que durou 90 minutos. Apesar de economia não ser o forte de McCain, como ele próprio admite, o senador conseguiu centralizar as discussões sobre a crise financeira na necessidade de cortar gastos em Washington, uma de suas bandeiras de campanha, e não se saiu mal. McCain passou a maior parte do tempo falando sobre sua batalha para cortar gastos e verbas para projetos. O republicano acusou Obama de estimular gastos desnecessários e pedir US$ 800 bilhões para projetos em seu Estado como senador. "John, foi o seu presidente que comandou essa orgia de gastos", Obama retrucou, destacando que McCain votou a favor da maioria dos orçamentos de Bush. McCain tentou se diferenciar de Bush, dizendo que discordou do presidente em relação a Guantánamo, interrogatórios e aquecimento global. Mas não explicou os votos do orçamento. O primeiro corte de gastos que McCain mencionou foi: "Vou acabar com os subsídios ao etanol." Quando entrou em sua seara - política externa -, McCain tentou mostrar experiência: "Eu estive envolvido em todos os grandes eventos de política externa dos últimos vinte anos. Não acho que o senador Obama tem conhecimento ou experiência para conduzir política externa."McCain disse ser amigo de Henry Kissinger "há 35 anos". Mas confundiu o nome do novo presidente do Paquistão - chamou de Asif Ali Zardari de Kadari - e tropeçou no nome de Mahmud Ahmadinejad, o presidente do Irã.McCain chamou Obama de ingênuo várias vezes, sempre com sorriso sarcástico e tratando o democrata com aparente desprezo. McCain repetiu várias vezes: o senador Obama "não entende que se falharmos no Iraque isso vai encorajar a Al-Qaeda". O republicano repreendeu Obama por ter afirmado que os EUA deveriam atacar Al-Qaeda dentro do Paquistão, caso o governo paquistanês se recusasse. Ao que Obama retrucou: "Para alguém que cantou músicas sobre bombardear o Irã, não acho essa crítica digna de crédito."

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