Obama e Medvedev definem pacto nuclear

Pré-acordo prevê que EUA e Rússia reduzam arsenais para 1.500 ogivas

NYT, AP E REUTERS, O Estadao de S.Paulo

07 de julho de 2009 | 00h00

Os presidentes Barack Obama, dos Estados Unidos, e Dmitri Medvedev, da Rússia, demonstraram que estão comprometidos em melhorar os laços entre os dois países ao assinar ontem um acordo preliminar para reduzir seus arsenais nucleares. Durante uma entrevista coletiva conjunta no Kremlin, os dois líderes falaram sobre a determinação que têm em deixar as diferenças de lado para poder cooperar na solução de problemas globais.Os laços entre Moscou e Washington esfriaram no governo do ex-presidente George W. Bush, principalmente na época do conflito entre Rússia e Geórgia, em agosto. Desde que assumiu a Casa Branca, em janeiro, Obama e sua equipe mostram disposição de reaproximar-se com o Kremlin."Decidimos reiniciar as relações entre EUA e Rússia para que possamos cooperar de forma mais eficaz", afirmou Obama. "O presidente Medvedev e eu estamos comprometidos em deixar para trás suspeitas e rivalidades do passado." O líder russo expressou sentimentos semelhantes aos do seu colega americano. "Trata-se do primeiro - mas extremamente importante - passo na melhora da cooperação em larga escala entre nossos países, o que beneficiará ambos Estados", disse Medvedev.O acordo de princípios sobre o arsenal nuclear assinado pelos presidentes servirá como uma espécie de "guia" para negociadores das duas nações iniciarem os trabalhos para chegar a um pacto que substitua o Start I - tratado de desarmamento assinado em 1991 que expira em dezembro. Segundo o plano inicial, os dois países devem reduzir seus arsenais nucleares para entre 1.500 e 1.675 ogivas cada um.Entre os outros acordos assinados, estão a retomada dos contatos militares entre os dois países - interrompidos há quase um ano por causa da guerra na Geórgia -, a troca de informações sobre prisioneiros de guerra e a autorização por parte da Rússia para que os EUA utilizem seu território para enviar suprimentos ao Afeganistão. O Kremlin permitirá o trânsito de cerca de 4.500 voos na nova rota, que dará mais opções às forças americanas. Além de ser um novo caminho para enviar suprimentos aos soldados no Afeganistão, a iniciativa também servirá para que os EUA economizem aproximadamente US$ 133 milhões por ano.ESCUDO ANTIMÍSSILObama e Medvedev, porém, não deixaram de mencionar as questões que dividem os dois países - como a oposição russa aos planos americanos de instalar um escudo antimíssil no Leste Europeu ou a insistência dos EUA sobre a integridade territorial da Geórgia."Enquanto os governos anteriores dos EUA assumiram uma posição muito dura sobre essa questão, a administração atual está pronta para discutir o tema", afirmou o líder russo. "Acho que somos capazes de encontrar uma solução razoável."GAFEA visita de Obama à Rússia faz parte de um giro que também inclui Itália e Gana. Hoje, o presidente americano se reunirá com o premiê russo, Vladimir Putin.Ao falar com repórteres sobre o encontro com o premiê, Obama cometeu uma pequena gafe ao se referir a Putin como "presidente", mas rapidamente conseguiu se corrigir.PONTOS NA AGENDARedução de armas: Acordo preliminar prevê que EUA e Rússia devem reduzir seus arsenais nucleares para entre 1.500 e 1.675 ogivas cada um. O plano servirá como uma espécie de "guia" para as negociações do pacto que substituirá o Start I - tratado de desarmamento assinado em 1991 que expira em dezembroAfeganistão: Rússia permitirá que EUA utilizem seu território para enviar suprimentos ao Afeganistão por terra e pelo ar. Cerca de 4.500 voos farão a nova rota anualmente, ajudando o governo americano a economizar US$ 133 milhõesCooperação militar: Os dois paises retomarão seus contatos militares, interrompidos há quase um ano por causa da guerra entre Rússia e Geórgia. Também será criada uma comissão para ajudar a encontrar prisioneiros e desaparecidos de guerraEscudo antimíssil: Rússia e EUA comprometem-se a continuar os debates sobre os planos americanos de instalar um escudo antimíssil no Leste Europeu

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