Jim Young/Reuters
Jim Young/Reuters

Obama e ONU coordenam ação contra ditador

Na segunda-feira, chanceleres debaterão em Genebra medidas que devem incluir sanções e investigação internacional de ''massacres''

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2011 | 00h00

A comunidade internacional fecha o cerco contra Líbia e, por iniciativa dos EUA, ministros das principais potências se reunirão em Genebra na segunda-feira para estabelecer uma estratégia de sanções contra Muamar Kadafi, isolar o regime e dar uma demonstração de força para pressionar pelo o fim do massacre.

O presidente dos EUA, Barack Obama, pediu "coordenação multilateral" para a aplicação das medidas. Enquanto isso, 54 países convocaram uma reunião de emergência da ONU amanhã para votar uma resolução estabelecendo uma investigação internacional por eventuais crimes de guerra contra o líder líbio. Alguns governos chegaram a propor até mesmo a suspensão da Líbia de órgãos da ONU e até a Liga Árabe decidiu afastar Kadafi das reuniões até que ele mude de posição. Cresce a pressão para que Trípoli seja agora banida de órgãos da ONU.

Mas o sinal mais forte de pressão vem mesmo de Washington. Obama rompeu o silêncio, condenando energicamente o "ultrajante" massacre de civis e ordenou a Hillary Clinton que viaje para Genebra na segunda-feira para reuniões com seus homólogos da Rússia, UE, países árabes e outros emergentes. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também tomará parte nas consultas.

A ONU votará a proposta de criação de uma comissão internacional para investigar e punir supostos massacres cometidos por Kadafi, que está sendo acusado de "crimes contra humanidade". O projeto de resolução, obtido pelo Estado, foi apresentado ontem aos governos.

O ponto principal da resolução seria a criação de uma "investigação internacional, independente e imparcial liderada pela ONU para avaliar as violações de direitos humanos na Líbia e garantir que haja punição contra os responsáveis". Na prática, a investigação poderia acabar numa condenação de Kadafi, o que o colocaria sob risco de um indiciamento internacional.

A UE quer estabelecer um acordo para impor uma lista de medidas contra Trípoli. As sanções devem incluir desde a proibição a Kadafi, sua família e seus ministros de viajar para a Europa, até o congelamento de bens, contas e empresas, o embargo de armas e outras restrições.

Com a lista preparada, ministros tomarão a decisão nos próximos dias sobre quais serão aplicadas imediatamente. A decisão veio depois que França e Alemanha convocaram para ontem uma reunião da UE. O governo da Itália já falava em "mil mortos" em decorrência do conflito.

Bloqueio. A Líbia foi por décadas alvo de um embargo internacional. Há seis anos, porém, negociou um acordo com americanos e britânicos estipulando que, em troca da renúncia a armas nucleares, voltaria a receber investimentos. Desde então, o país virou palco de uma corrida de multinacionais do setor do petróleo e construção civil.

Ontem, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, foi o primeiro a se pronunciar a favor de sanções e pediu ações judiciais contra os responsáveis à repressão. Sarkozy apelou para que a Europa suspenda toda sua relação comercial, financeira e econômica com a Líbia. Segundo o francês, as sanções deveriam mandar um recado para que "todos aqueles envolvidos na violência saibam que terão de assumir as consequências de suas ações".

O francês sugere que Kadafi não seja autorizado a entrar na Europa, nem que possa movimentar sua fortuna em bancos do continente. "A comunidade internacional não pode ficar com espectadora diante das violações em massa de direitos humanos", disse. Já a chanceler alemã, Angela Merkel, considerou que Kadafi decretou "guerra a seu próprio povo".

Nos EUA, a proposta do senador John Kerry é também de recuperar as sanções. Já o governo do Peru inesperadamente anunciou ontem o rompimento de todas as suas relações diplomáticas com a Líbia.

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