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Obama é pressionado a dar asilo a dissidente chinês

Republicanos criticaram a atuação dos EUA; ativista deixou embaixada americana

Reuters,

03 Maio 2012 | 19h36

PEQUIM/WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, enfrenta pressões nesta quinta-feira, 3, para garantir a segurança do dissidente cego chinês Chen Guangcheng, que depois de se refugiar por alguns dias na embaixada norte-americana em Pequim foi internado em um hospital e passou a fazer desesperados apelos para receber asilo, num caso que ameaça agravar as tensões entre a China e os EUA.

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Chen, ativista jurídico autodidata, deixou a embaixada na quarta-feira, 2, logo antes de a secretária de Estado Hillary Clinton chegar a Pequim para discussões estratégicas e econômicas entre as duas superpotências.

Horas depois, porém, Chen mudou de ideia sobre um acordo que, segundo autoridades dos EUA, lhe permitiria permanecer em segurança com a família na China e estudar numa universidade. Em telefonemas a amigos e jornalistas, o ativista disse que teme por sua vida.

Políticos republicanos e defensores de Chen criticaram a atuação das autoridades norte-americanas no caso, e exigiram que a Casa Branca garanta a segurança do ativista, que fugiu em 22 de abril da prisão domiciliar em uma aldeia na província de Shandong, e então passou seis dias na embaixada.

O pré-candidato presidencial republicano Mitt Romney disse que, se os relatos forem verdadeiros, a embaixada dos EUA "deixou de estabelecer medidas verificáveis que garantiriam a segurança do sr. Chen e da sua família".

"Se esses relatos forem verdadeiros, trata-se de um dia negro para a liberdade, e é um dia de vergonha para o governo Obama", disse Romney durante evento eleitoral na quinta-feira na Virgínia.

Bob Fu, presidente da entidade religiosa e de direitos humanos ChinaAid, com sede no Texas, disse a jornalistas em Washington que conversou na noite anterior com Chen e que ele estava chorando e pedindo ajuda para ir aos EUA com a família.

A deputada republicana Ileana Ros-Lehtinen, presidente da Comissão de Assuntos Exteriores da Câmara dos Deputados, disse: "?Deveria ser óbvio para todas as autoridades dos EUA o tempo todo que não há forma de garantir a segurança do sr. Chen enquanto ele estiver ao alcance do Estado policial chinês".

"O governo precisa apoiar a liberdade do sr. Chen de escolher onde ele e sua família podem viver em segurança", acrescentou a parlamentar em nota.

Autoridades dos EUA dizem que Chen deixou a embaixada por livre e espontânea vontade, e foi levado para um hospital de Pequim porque desejava reencontrar a esposa e os filhos. Eles diziam que queriam continuar na China, e não chegaram a pedir asilo.

"Ele sabia das escolhas difíceis que tinha diante de si", afirmou a jornalistas o embaixador dos EUA em Pequim, John Locke, na quinta-feira. "Ele sabia e estava muito ciente de que poderia passar muitíssimos anos na embaixada. Mas estava preparado para isso (...). Ele deixou muitíssimo claro desde o começo que desejava ficar na China, que queria participar da luta para melhorar os direitos humanos de dentro da China."

A chancelaria chinesa não quis comentar o pedido de Chen para deixar o país, e repetiu suas críticas à "forma inaceitável" como os EUA trataram o caso.

Chen disse à Reuters na quinta-feira, falando do hospital, que está sendo tratado de uma fratura no pé, e que mudou de ideia sobre ficar no país depois de conversar com sua mulher, que relatou recentes ameaças contra sua família.

"Eu me sinto muito inseguro. Meus direitos e liberdade não podem ser assegurados aqui", afirmou. "Espero que os EUA me ajudem a sair imediatamente. Quero ir para lá para tratamento médico."

 

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