Obama e Putin tentam afinar ações sobre Síria

Os dois líderes se encontram no México, mas não chegam a nenhum acordo concreto sobre a maneira de evitar uma guerra civil no país

DENISE CHRISPIM MARIN, ENVIADA ESPECIAL, SAN JOSÉ DE LOS CABOS, MÉXICO, O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2012 | 03h07

Apesar de concordarem com a necessidade de acabar com a violência na Síria, EUA e Rússia não chegaram ontem a nenhum compromisso sobre sanções mais duras contra Damasco nem sobre a ajuda militar russa às forças de Bashar Assad. Os presidentes Barack Obama e Vladimir Putin conversaram durante duas horas antes da abertura da reunião de cúpula do G-20, no México.

"Concordamos que a violência precisa acabar e um processo político tem de ser criado para evitar a guerra civil", disse Obama, que descreveu sua conversa com o líder russo como "franca, zelosa e consciente". "Do meu ponto de vista, encontramos muitos pontos em comum", completou Putin, sentado ao lado do americano.

O conflito na Síria tem sido fonte atrito nas relações entre os dois países. A secretária de Estado, Hillary Clinton, acusou a Rússia de vender helicópteros e outros armamentos para as forças de Assad. Moscou diz que a Casa Branca dá apoio indireto aos opositores sírios e faz vista grossa para a venda de armas e munições de países árabes.

O atrito mais grave ocorre no Conselho de Segurança da ONU, onde a Rússia resiste em apoiar novas sanções contra Damasco e ameaça usar seu poder de veto. A escalada de violência fez a ONU suspender sua missão de observadores no dia 16.

Na conversa, Obama tratou de outros temas delicados nas relações bilaterais. Não há indício de que Putin adote o acordo de desarmamento nuclear obtido pela Casa Branca durante o governo de Dmitri Medvedev, atual premiê russo. O Kremlin também vê com desconfiança o projeto da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) de construir um escudo antimíssil na Europa Oriental. Os EUA precisam da Rússia para suprir suas forças no Afeganistão. Desde novembro, a passagem pelo Paquistão está fechada e não há indícios de que Islamabad vá reabri-la.

Violência. Ontem, as forças do governo sírio retomaram o bombardeio à cidade de Homs e as operações na Província de Damasco. Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, entidade de oposição com sede em Londres, 40 pessoas morreram nas últimas 24 horas no país.

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