Edgar Garrido/Reuters e Mauricio Dueñas CastañedasEFE
Edgar Garrido/Reuters e Mauricio Dueñas CastañedasEFE

Obama e Raúl Castro se encontrarão no sábado, diz assessor americano

De acordo com Ben Rhodes, conselheiro de Obama, líderes usarão encontro para 'discutir questões à margem da cúpula'

Cláudia Trevisan, Enviada Especial / Cidade do Panamá, O Estado de S. Paulo

10 de abril de 2015 | 14h38

CIDADE DO PANAMÁ - Os presidentes de Estados Unidos, Barack Obama, e Cuba, Raúl Castro, se encontrarão no sábado, 11, durante a 7ª Cúpula das Américas, na primeira conversa presencial entre dirigentes dos dois países desde antes da Revolução de 1959. 

"Nós vamos encontrar um momento para eles discutirem as questões à margem da cúpula", disse na manhã desta sexta-feira, 10, o vice-conselheiro de Segurança Nacional de Obama, Ben Rhodes. Obama e Castro estarão juntos na noite de sexta-feira durante a cerimônia de abertura da cúpula e no jantar de chefes de Estado que ocorrerá em seguida. Mas Rhodes disse que não espera uma "conversa prolongada" entre ambos antes do sábado.


Na quarta-feira, Obama e Castro falaram por telefone, pavimentando o caminho para a conversa na 7ª Cúpula das Américas, no Panamá, a primeira da qual Cuba participa. Os dois líderes estarão frente a frente quatro meses depois de ambos surpreenderem o mundo com o anúncio de que seus países reatariam relações diplomáticas, abrindo caminho para a eliminação do último vestígio da Guerra Fria no continente. 

Antes do encontro de sábado, ambos haviam se cumprimentado com um aperto de mão no funeral do líder sul-africano Nelson Mandela, em dezembro de 2013. Também conversaram por telefone durante quase uma hora no dia 17 de dezembro, quando a decisão de colocar fim ao rompimento de mais de cinco décadas foi divulgada.

Segundo Rhodes, a retirada de Cuba da lista de países que patrocinam o terrorismo não é um pré-requisito para o encontro dos dois presidentes. A exclusão está sendo analisadas por agências de segurança dos EUA, que farão a recomendação final ao presidente. "O processo ainda não está concluído", afirmou Rhodes.


O assessor de Obama disse que os dois líderes falaram sobre o fato de que continuarão a divergir sobre várias questões, mas que isso não é um impedimento para a reaproximação. "Nós vamos continuar a defender direitos humanos e a ter diferenças em relação ao sistema político de Cuba. Da mesma maneira que Cuba critica a atuação dos Estados Unidos na Baía de Guantánamo", observou.

A retirada de Cuba da lista de países que patrocinam o terrorismo facilitará as relações financeiras da ilha com o restante do mundo e permitirá a ampliação do comércio e de investimentos. O governo de Havana estima que precisa US$ 2,5 bilhões de capital externo produtivo para estimular seu desenvolvimento.

Cuba integra a lista de países que patrocinam o terrorismo desde 1982. A relação inclui Irã, Sudão e Síria. A Coreia do Norte foi excluída em 2008, por decisão do então presidente republicano George W. Bush. 

Reunião. Na madrugada de sexta-feira (horário de Brasília), o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, se reuniu com o ministro de Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez. O último encontro do tipo entre os dois países havia ocorrido em 1958.

A participação de Cuba e a reaproximação do país com os Estados Unidos devem ser os principais temas da Cúpula das Américas, que será formalmente aberta na noite desta sexta-feira. No Sábado, líderes dos 35 países da região passarão o dia reunidos. 

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