Obama é reeleito mas governará com Congresso dividido

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, foi reeleito para um segundo mandato e governará os EUA até 2017. Obama, 44º presidente dos EUA, facilmente superou os 270 votos necessários para ser eleito presidente no Colégio Eleitoral. Com 97% dos votos populares apurados nesta quarta-feira, Obama tinha 303 votos no Colégio Eleitoral, enquanto seu rival republicano Mitt Romney tinha 206. Romney reconheceu a derrota e desejou um bom governo a Obama. Os democratas conseguiram manter também sua vantagem no Senado, de 53 cadeiras, mas os republicanos ficaram com o controle da Câmara dos Representantes (deputados federais) e tinham, segundo contagem parcial nesta quarta-feira, 227 das 435 cadeiras, com a chance de conquistar mais nove. Os democratas conquistaram 178 cadeiras, mas ainda podem ter eleito 19 deputados. Atualmente, os republicanos controlam a Câmara com 240 cadeiras e os democratas têm 190, enquanto cinco estão vagas.

AE, Agência Estado

07 de novembro de 2012 | 12h30

Os resultados nesta quarta-feira mostram que Obama enfrentará o mesmo Congresso dividido em 2013. Os republicanos tiveram uma derrota no Senado, no qual poderiam retomar o controle dos democratas, que tinham mais cadeiras a defender. Os democratas conseguiram manter a maioria de 53 das 100 cadeiras. Candidatos republicanos no Missouri e Indiana - ambos Estados onde Romney venceu as eleições - foram derrotados após terem feito comentários desastrosos sobre estupro e aborto. Os republicanos conseguiram conquistar apenas uma cadeira no Senado que era dos democratas, a do Estado do Nebraska. Os democratas reelegeram senadores do Wisconsin, Virginia, Connecticut, Missouri, Ohio, Pensilvânia, Novo México e Flórida.

A disputa para o Senado ainda estava pendente nesta quarta-feira em apenas dois Estados conservadores do oeste, Montana e Dakota do Norte, onde Romney venceu. Em Montana, o senador Jon Tester levava uma ligeira vantagem na contagem dos votos sobre o representante democrata Denny Rehberg. Já em Dakota do Norte, a democrata Heidi Heitkamp tinha pequena vantagem sobre o congressista republicano Rick Berg.

No Wisconsin, os democratas conseguir reeleger senadora Tammy Baldwin, primeira senadora abertamente homossexual. Baldwin, contudo, não se elegeu com uma plataforma de defesa dos direitos gays, mas ao prometer lutar pela classe média do Wisconsin.

Mais de US$ 2 bilhões foram gastos na campanha eleitoral para o Congresso em 2012. Na Câmara, todas as 435 cadeiras foram renovadas e os republicanos mantiveram o controle, embora os democratas tenham obtido alguns ganhos.

O líder da Câmara, o republicano John Boehner, que conseguiu manter seu emprego, se ofereceu para trabalhar com qualquer vencedor, democrata ou republicano. "O povo americano quer soluções e nesta noite, ele respondeu ao renovar a nossa maioria" disse Boehner. Mas o republicano também afirmou que não existe nenhuma margem de manobra para aumento de impostos. Obama propôs o aumento de impostos para pessoas que ganham mais de US$ 250 mil por ano.

O controle do Senado, contudo, deverá manter para Obama uma barreira contra as tentativas dos republicanos de derrubarem seu maior feito - a reforma do sistema de saúde, o chamado "Obamacare", que obriga cada cidadão a ter cobertura de um seguro de saúde. Mais de 40 milhões de norte-americanos não têm e a reforma, já aprovada no Congresso, embora contestada pelos republicanos na Suprema Corte, deverá ser totalmente implementada até 2014.

"Abismo fiscal" - O primeiro teste para Obama no Congresso deverá começar na próxima semana, quando os representantes e senadores voltarem do recesso para lidar com o urgente "abismo fiscal", um aumento de impostos de US$ 400 bilhões e cortes de U$ 100 bilhões nos gastos militares e domésticos. Os cortes de US$ 500 bilhões entrarão em efeito imediato em janeiro, a não ser que a Casa Branca e o Congresso encontrem uma alternativa no restante de novembro e em dezembro. Economistas alertam que o "abismo fiscal" poderá levar os EUA rapidamente a uma nova recessão. Uma alternativa para Obama pode ser negociar o aumento do teto de endividamento do governo americano - atualmente, a dívida pública federal já supera US$ 16 trilhões.

Tea Party - Alguns representantes da facção republicana ultraconservadora Tea Party se saíram bem nas eleições. O republicano Ted Cruz venceu a disputa para o Senado pelo Texas, enquanto no Nebraska Deb Fischer conquistou a cadeira do ex-senador democrata Bob Kerrey.

No Arizona, o representante Jeff Flake derrotou o médico Richard Carmona. Em Nevada, o senador republicano Dean Heller consegui derrotar a representante democrata Shelley Berkley.

Já a representante Michelle Bachmann conseguiu se reeleger para a Câmara pelo Estado de Minnesota, em uma disputa muito acirrada contra o democrata Jim Graves. Bachmann, que chegou a ser pré-candidata republicana à presidência nas primárias (ela foi uma das primeiras a ser derrotada por seus colegas republicanos menos radicais), obteve 50,5% dos votos para a vaga, enquanto Graves ficou com 49,5%, já contadas 98% das seções eleitorais de Minnesota.

As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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