Obama e Romney adotam tom agressivo em segundo debate

Candidatos à presidência dos Estados Unidos partem para o ataque durante encontro realizado no estado de Nova York.

BBC Brasil, BBC

17 de outubro de 2012 | 02h21

Os candidatos à presidência dos Estados Unidos, o democrata Barack Obama e o republicano Mitt Romney, subiram o tom nesta terça-feira durante o segundo dos três tradicionais debates que antecedem as eleições presidenciais americanas, previstas para o dia 6 de novembro.

Neste segundo encontro, realizado na Universidade de Hofstra, em Nova York, e mediado pela jornalista da CNN Candy Crowley, os dois candidatos responderam a perguntas formuladas por 80 eleitores indecisos presentes na plateia.

Durante grande parte dos 90 minutos que durou o debate, Obama e Romney discorreram sobre assuntos polêmicos, como o desemprego, a segurança energética, a política de imigração e o atentado ao consulado dos Estados Unidos em Benghazi, ocorrido em setembro deste ano.

A três semanas das eleições presidenciais, os dois candidatos não pouparam críticas e acusações mútuas ao responderem às perguntas dos eleitores indecisos e às interpelações feitas pela mediadora, Candy Crowley.

A todo momento, Obama e Romney interrompiam-se e afirmavam que o outro estava mentindo. Para analistas, o tom agressivo deste segundo debate em nada lembrou a monotonia do primeiro encontro, especialmente pela apatia demonstrada na ocasião pelo presidente dos Estados Unidos, que concorre à reeleição.

Mais incisivo, Obama rebateu as críticas do ex-governador de Massachussets, mas foi evasivo em relação a temas como a concessão de licenças a companhias de exploração de petróleo e o preço dos combustíveis.

Romney, por outro lado, embora tenha, a todo momento, recorrido a dados para embasar seu discurso e minar a credibilidade do democrata, perdeu força a partir da segunda metade do debate, apontaram analistas.

Pontos altos

O debate começou acalorado, logo na primeira pergunta, quando o estudante Jeremy Epstein, de 20 anos, questionou os candidatos sobre o que eles fariam para garantir o emprego de milhares de jovens quem, como ele, estavam a ponto de se formar.

Obama e Romney partiraram para o ataque, levantando-se na hora de falar com a plateia e intervindo a todo comentário do adversário que julgavam impertinente.

"O que aconteceu nos últimos anos foi muito, mas muito difícil para os jovens americanos", disse Romney.

Sem titubear, Obama lembrou que Romney defendeu a falência de Detroit e ironizou o plano de governo do republicano.

"O governador Romney não tem um plano de cinco pontos; ele só tem um plano de um ponto", afirmou Obama.

Mas um dos pontos altos do encontro dos presidenciáveis ocorreu durante a resposta a uma pergunta sobre o ataque ao consulado dos Estados Unidos em Benghazi, na Líbia, que vitimou quatro americanos, entre eles, o embaixador Christopher Stevens.

Criticado por Romney, Obama disse que se assumia a responsabilidade "sobre o incidente" depois de seu governo descartar elevar os investimentos em segurança da representação diplomática.

O presidente dos Estados Unidos também rebateu a crítica de Romney de que ele não teria qualificado os ataques de "atos de terrorismo" no dia seguinte ao incidente.

Questionado pelo republicano, Obama reafirmou que havia caracterizado o ataque em Benghazi de "ato terrorista" e afirmou que "quem se mete com os Estados Unidos, nós vamos atrás deles".

Crítica

Segundo analistas, Obama, diferentemente do primeiro debate, teria vencido o segundo embate, demonstrando maior firmeza nas respostas e rebatendo as críticas de Romney à altura.

Nas redes sociais, em meio a defesas apaixonadas de ambos os lados, partidários republicanos consideraram "desastroso" o desempenho da mediadora, Candy Crowley. Segundo eles, a jornalista foi parcial, favorecendo Obama em diversos momentos.

Na prática, Crowley cometeu uma gafe ao intervir em prol do democrata quando endossou que Obama havia classificado como "terrorismo" o atentado ao consulado americano em Benghazi no dia seguinte ao incidente. Ela confirmou ao final do debate que havia se enganado.

Em outro momento, a jornalista ordenou que o candidato republicano "se sentasse".

O próximo - e último - debate será no dia 22 de novembro, quando Obama e Romney discutirão temas ligados à política internacional. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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