Tony Dejak/AP
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Obama e Romney confrontam seus planos para a recuperação econômica

Em Ohio, candidatos fizeram discursos repletos de ataques e não apresentaram novas propostas

Efe,

14 de junho de 2012 | 20h39

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e seu adversário na disputa pela reeleição, o político republicano Mitt Romney, confrontaram nesta quinta-feira, 14, no estado de Ohio seus planos para a recuperação da economia do país, sem incluir propostas novas em discursos repletos de ataques mútuos.

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Este foi o primeiro dia no qual Obama, que buscará a reeleição no pleito de novembro, e Romney coincidiram com atos de campanha no mesmo estado, quase na mesma hora e ambos com foco na economia. E não foi à toa que escolheram Ohio, considerado um reflexo do senso político do país, já que desde 1960 nenhum candidato presidencial ganhou as eleições sem ter sido o mais votado também neste estado.

O comício de Obama foi realizado em uma universidade de Cleveland, e o de Romney - que será nomeado oficialmente candidato presidencial na convenção republicana de agosto -, em uma fábrica em Cincinnati, a cerca de 400 quilômetros de distância.

Nenhum dos dois saiu do roteiro e das propostas que defendeu durante a campanha eleitoral, em momentos nos quais a economia, ainda frágil após a crise, é a principal preocupação dos americanos.

Obama afirmou que o que está em jogo no pleito de 6 de novembro é "o futuro econômico" do país, e que os eleitores terão que escolher "entre duas visões totalmente diferentes" sobre como fazer a economia crescer, criar empregos para a classe média e reduzir o déficit. Para fortificar a economia "há muito mais o que fazer, todo mundo sabe. O debate é como crescer mais rápido, como pagar a dívida e como criar empregos", ressaltou o líder democrata.

Segundo Obama, não há nada mais importante agora do que ter "um debate honesto" sobre a economia, porque em novembro não será votado um candidato ou um partido, mas o "caminho" mais adequado para o progresso dos EUA. A recuperação após a crise econômica e financeira de 2008 "é o mais urgente, mas não o suficiente", indicou Obama ao explicar que também é necessário salvar a classe média da "erosão" de poder aquisitivo que sofreu nos últimos anos.

Se forem aplicadas as políticas de Romney, "a recuperação econômica se desacelerará", previu Obama. Além disso, o presidente lembrou que o candidato republicano propõe cortes tributários avaliados em US$ 5 trilhões e que, para conseguir reduzir o déficit, terá que compensá-los com cortes em investimentos, em educação e saúde.

O presidente repassou seu plano econômico, baseado em aumentar impostos aos mais ricos e incentivar investimentos em energias limpas, infraestrutura e educação para criar empregos.

Já Romney atacou a gestão econômica de Obama, ao assegurar que o atual governante é bom para dar discursos, mas "não ofereceu uma recuperação econômica". "Ele mostrará eloquência ao descrever seus planos para que a economia melhore, mas não se esqueçam de que foi presidente durante três anos e meio, e falar não custa nada. As ações falam mais alto", afirmou Romney, que discursou em Cincinnati poucos minutos antes de Obama.

O candidato apontou sua artilharia contra as políticas econômicas do presidente, ao enumerar medidas que, segundo sua opinião, asfixiam a classe empresarial. "Vejamos uma a uma: um fracassado estímulo (econômico, de 2009); o Obamacare (reforma da saúde), que gerou poucos empregos, uma lei (Dodd-Frank) que prejudicou a capacidade dos bancos de emprestar dinheiro, especialmente aos pequenos negócios, e uma fracassada política energética", resumiu.

O duelo entre ambos ocorre em um momento no qual as pesquisas refletem a crescente ansiedade do eleitorado pela economia, e não mostra uma incontestável popularidade de Obama. Segundo projeções do "FiveThirtyEight", um site que compila e analisa enquetes, Obama conta com 286,8 votos do Colégio Eleitoral, do total de pelo menos 270 necessários para ganhar a corrida à Presidência, enquanto Romney tem 251,2 votos.

 

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