Obama e Romney fazem campanha em Ohio ao mesmo tempo

Pela primeira vez na corrida pela Casa Branca, candidatos democrata e republicano disputam espaço no mesmo Estado

DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2012 | 03h01

Distantes 400 quilômetros, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e seu adversário republicano Mitt Romney travaram ontem um duelo verbal em Ohio, um dos nove Estados com poder de definir a eleição de novembro. No centro dos ataques estava a capacidade de cada um dos candidatos de tirar a economia americana do atoleiro. Obama resumiu o tiroteio com uma frase: "Esta eleição é sobre o futuro de nossa economia".

Diante de uma plateia de cerca de 1.500 pessoas, a maioria negra, em uma faculdade comunitária de Cleveland, Obama teve o cuidado de atacar em detalhes o projeto econômico republicano. Destacou ter sido a política de aliviar as regulações financeiras, de expandir gastos com as guerras do Iraque e do Afeganistão e de reduzir impostos para os mais ricos de seu antecessor, George W. Bush, o motivo da recessão de 2008 e 2009.

"A visão deles (republicanos) está equivocada", afirmou. "Esta eleição apresenta uma escolha entre duas visões fundamentalmente diferentes para gerar crescimento sustentável e forte, para reduzir nossa dívida no longo prazo e, acima de tudo, para criar bons empregos para a classe média", insistiu Obama.

Em comício em uma fábrica de Cincinnati, Romney zombou de Obama ao dizer que seu currículo no governo era "longo em palavras e curto em ação" e ao lembrar sua declaração, no dia 8, de que o setor privado americano "está indo bem". "Vocês devem ter ouvido que o presidente Obama está no outro lado do Estado e vai discursar sobre economia. Ele está fazendo isso porque ainda não conseguiu recuperar a economia", atirou Romney. "Não se esqueçam que ele é presidente há três anos e meio, e que falar é fácil. As ações falam mais alto."

Obama e Romney pouco acrescentaram a suas pautas para a recuperação econômica dos EUA a partir de 2013. A disputa pode ser sintetizada no conflito entre as agendas de crescimento e de austeridade fiscal.

Romney, pressionado especialmente pela ala mais radical do Partido Republicano, promete desmontar a regulação do setor financeiro e a reforma da saúde, os dois maiores trunfos do governo Obama. Pretende ainda cortar agressivamente os gastos públicos, apesar de seu efeito nocivo na expansão da atividade econômica, e manter o alívio tributário para os americanos de maior renda.

O candidato à reeleição segue a linha oposta, do alívio no ajuste fiscal neste ano e em 2013, com a concessão de incentivos para setores capazes de gerar empregos - como o de infraestrutura - e com chances de dar um salto na competitividade - como o de energia limpa.

Obama trabalhou intensamente na elaboração do seu discurso em Cleveland, segundo o New York Times. Seu desafio é superar a queda na popularidade, provocada pelo aumento da taxa de desemprego em maio (8,2%). Embora Ohio seja um dos Estados indecisos em toda eleição presidencial, Obama tem vantagem nesse terreno.

Segundo a média das pesquisas de opinião calculada pelo Real Clear Politics, Obama tem 46,4% das intenções de voto no Estado, e Romney, 44,6%

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