Obama elogia suspensão de assentamentos

Ao lado de líder egípcio, presidente aprova decisão de Israel de congelar construções na Cisjordânia

Gustavo Chacra, NOVA YORK, O Estadao de S.Paulo

19 de agosto de 2009 | 00h00

A iniciativa anunciada ontem pelo governo israelense de congelar temporariamente a expansão dos assentamentos na Cisjordânia foi elogiada pelo presidente dos EUA, Barack Obama, em declaração feita ao lado do líder egípcio, Hosni Mubarak, em Washington. A questão das colônias era o principal ponto de divergência entre EUA e Israel, aliados históricos no Oriente Médio. "Houve um movimento na direção certa e eu, desde o início, venho dizendo que todos os lados envolvidos precisam dar passos concretos para reiniciar as negociações e resolver este conflito que não é bom para os israelenses e não é bom para os seus vizinhos", afirmou Obama na Casa Branca, depois de reunião com Mubarak.A decisão do governo israelense foi anunciada pelo ministro da Habitação, Ariel Atias. "Desde o estabelecimento do governo, há cinco meses, nenhuma aprovação foi feita para Judeia e Samaria", disse, referindo-se aos convites do governo para licitação na construção de novos assentamentos na Cisjordânia. Segundo o ministro, o governo israelense está "em compasso de espera". "É uma tentativa, acredito, para alcançar um entendimento com o governo americano e um acordo de paz", acrescentou. Obama e Netanyahu estavam, até agora, em lados opostos na questão dos assentamentos. O presidente e a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, pressionam para que a expansão das colônias, construídas em áreas reivindicadas pelos palestinos para um futuro Estado, seja congelada. Israel se recusava, argumentando que era parte de um crescimento natural e havia sido acordada com o governo do ex-presidente dos EUA George W. Bush.Ontem, no encontro com Mubarak, Obama afirmou também que espera ver um "avanço não apenas entre os israelenses, mas também dos palestinos em temas como o incitamento à violência contra Israel e a segurança". Os países árabes, segundo Obama, precisam demonstrar vontade de trabalhar com Israel. A Liga Árabe propôs o estabelecimento de relações de todos os países árabes com Israel em troca da retirada israelense dos territórios ocupados na Guerra dos Seis Dias, em 1967, o que inclui a Cisjordânia, Jerusalém Oriental, as Colinas do Golã e a Faixa de Gaza. Mais adiante, Obama disse que as forças de segurança da Autoridade Palestina "melhoraram, são capazes de cuidar da Cisjordânia e conseguiram conquistar a confiança não apenas dos israelenses, mas também da população palestina".Mubarak afirmou que mantém contatos com funcionários do governo israelenses. O presidente do Egito, um dos poucos países árabes a ter um tratado de paz com Israel, afirmou ter dito aos israelenses "para que eles esquecessem uma solução temporária com fronteiras temporárias". Obama e Mubarak também debateram a situação no Irã e no Iraque. O presidente americano, publicamente, não questionou o desrespeito aos direitos humanos no Egito. Opositores ao regime de Mubarak, no poder desde 1981, criticaram Obama por não abordar o assunto, mas o americano deu sinais de que ainda prefere se reaproximar do Egito, segundo maior destino de ajuda militar dos EUA.De acordo com a agência de notícias Associated Press, Mubarak, de 81 anos, estaria disposto a disputar mais uma vez as eleições presidências no Egito, previstas para o próximo ano.

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