Obama endurece com Irã e apóia Israel sobre Jerusalém

Em seu primeiro discurso sobrepolítica externa como candidato do Partido Democrata àPresidência dos Estados Unidos, Barack Obama endureceu suapostura com relação ao Irã e apoiou a tese de que Jerusalém é acapital indivisível de Israel. O discurso no Comitê Americano dos Assuntos Públicos deIsrael se destina a combater a desconfiança de muitos eleitoresjudeus com relação a Obama, alimentada em parte devido aosrumores de que ele seria muçulmano e teria assessores com umviés pró-árabe. Em seu discurso, Obama, que é cristão, prometeu trabalharpela existência de um Estado palestino que convivapacificamente com Israel. Seu comitê tenta afastar a noção deque numa negociação ele faria mais pressão sobre Israel do queo candidato republicano, John McCain. "Deixe-me ser claro: a segurança de Israel é sacrossanta. Énão-negociável. Os palestinos precisam de um Estado que sejacontíguo e coeso, e que lhes permita prosperar. Mas qualqueracordo com o povo palestino deve preservar a identidade deIsrael como Estado judeu, com fronteiras seguras, reconhecidase defensáveis", disse ele. "Jerusalém continuará como capital de Israel, e devepermanecer sem ser dividida", acrescentou. Israel conquistou a parte leste da cidade em 1967, e desdeentão a considera sua capital "eterna e indivisível", algo quea comunidade internacional não reconhece. Os palestinosreivindicam Jerusalém Oriental como sua capital. Obama falou de forma bem-humorada sobre a desconfiança quesuas origens provocam. "Tudo o que eu quero dizer é: deixe-mever se vocês vão ver este sujeito chamado Barack Obama, porqueele soa bastante assustador", declarou. Ele manifestou apoio à retomada das negociações de Israelcom a Síria sobre a posse das colinas do Golã, e deu aval aobombardeio israelense de setembro passado, que supostamentedestruiu uma instalação nuclear síria -- o que Damasco nega. "A Síria deu passos perigosos na busca por armas dedestruição em massa", disse Obama. IRÃ Referindo-se à sua declarada disposição de dialogar comlíderes de países hostis, como o Irã -- atitude criticada pelorival John McCain -, Obama disse: "Vamos abrir canais decomunicação, construir uma pauta, coordenar estreitamente comnossos aliados e avaliar o potencial de progresso. Não tenhointeresse em me sentar com nossos adversários só pela conversaem si." "Mas, como presidente dos Estados Unidos, eu estariadisposto a liderar uma diplomacia dura e baseada em princípios,com o líder iraniano apropriado, no momento e local da minhaescolha, e se e somente se isso puder contribuir com osinteresses dos Estados Unidos." De acordo com Obama, o Irã representa um perigo "grave" noOriente Médio. "Farei de tudo ao meu alcance para evitar que o Irã obtenhauma arma nuclear", disse ele, no que foi aplaudido de pé. Na segunda-feira, falando na mesma entidade, McCainprometeu buscar sanções financeiras mais firmes contra o Irãcaso seja eleito. Ele defendeu uma campanha mundial pararetirar investimentos do Irã e impedir que o país obtenha armasatômicas. Hillary Clinton, que ainda não admitiu sua derrota paraObama na disputa democrata, também discursou na entidade emanifestou firme apoio a Israel.

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