Obama entra em guerra aberta contra a rede de TV Fox News

Casa Branca tratará a Fox como oponente; apresentador diz que Obama é 'radical revolucionário comunista'

Agência Estado,

15 de outubro de 2009 | 07h43

Logo depois de receber o Prêmio Nobel da Paz e em meio a consultas para decidir se envia mais 40 mil militares norte-americanos para o Afeganistão, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, entrou numa guerra aberta contra a Fox News, a mais conservadora entre as grandes redes de TV norte-americanas. A partir de agora, o governo tratará a Fox "como um oponente", afirmou a diretora de comunicações da Casa Branca, Anita Dunn.

Tudo começou com as críticas de Anita, que acusou a Fox News de atuar como "braço armado do Partido Republicano". A assessora de Obama ainda afirmou que a rede de TV deveria agir com mais correção, citando como exemplo a CNN, sua principal concorrente. O porta-voz do presidente, Robert Gibbs, acrescentou ter assistido a "muitas reportagens nessa emissora que não são verdadeiras".

Era tudo o que os apresentadores da conservadora rede de TV do bilionário australiano Rupert Murdoch queriam. Nos últimos dias, os programas de comentaristas como Glenn Beck e Bill O'Reilly aproveitaram para atacar ainda mais o governo de Obama e elevar a audiência, o que serve também para alfinetar a CNN. Também dizem que Obama tem em seu favor as três grandes redes abertas - ABC, CBS e NBC -, que "não conseguem encontrar uma falha em sua administração".

Beck, em seu programa vespertino, tem sido o mais ativo na guerra contra a Casa Branca, instalando, como provocação, um telefone vermelho no seu estúdio "dos tempos em que o governo dos EUA tinha verdadeiros inimigos, como os soviéticos, e não uma simples rede de TV". "Demos o número para a Casa Branca, assim eles podem nos ligar assim que cometermos um erro no ar", ironizava o apresentador.

Em outro programa nesta semana, Beck colocou um mapa de Manhattan com o prédio da Fox News no centro e tanques o cercando. Segundo o apresentador, essa é a guerra com a qual o governo Obama está preocupado. "Eles pretendem nos isolar e destruir", disse Beck, acrescentando que o "presidente é um radical revolucionário comunista". Beck ainda comparou a administração de Obama à dos nazistas.

No ano passado, ainda candidato, o atual presidente deu uma entrevista para O'Reilly. Mas, neste ano, o chefe da Casa Branca concordou em conceder entrevistas para os principais canais há um mês, menos para a Fox News. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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