Obama entra na bolha do esquema de segurança

Presidente se adapta à rotina de viver cercado de guarda-costas

Eli Saslow e Michael A. Fletcher, The Washington Post, O Estadao de S.Paulo

22 de janeiro de 2009 | 00h00

Barack Obama costumava fazer caminhadas, interrompendo o trabalho por 15 minutos todas as tardes. Mas em seu primeiro dia como 44º presidente dos EUA, terça-feira, ao percorrer três quarteirões até uma igreja, foram necessários 20 agentes do serviço secreto, uma caravana de 14 veículos, máscaras de gás (por precaução) e uma limusine Cadillac com blindagem especial.Esse toque de despertar às 8h47 definiu como seria o restante do dia de Obama e serviu de prenúncio para os próximos quatro anos ou mais de sua vida. O espaço pessoal não pertencerá mais a ele. A transferência do poder ofereceu a Obama um longo lembrete de que poucas coisas serão fáceis agora. Ele planejou estar na Igreja St. John, na Praça Lafayette, às 9 horas, mas os preparativos para a viagem começaram às 7h45. Um pequeno batalhão de policiais e agentes do serviço secreto protegia a porta dos fundos da Residência Blair localizada na Avenida Pensilvânia, a qual estava bloqueada por uma grande cerca metálica e protegida por dois postos de controle. Os convidados de Obama foram os primeiros a sair e dividiram-se entre limusines idênticas.Desde maio de 2007, quando Obama se tornou o candidato à presidência a receber mais precocemente a proteção do serviço secreto, ele se indispôs com o confinamento imposto pela segurança. Queixou-se quando seus assessores pediram que ele parasse de correr perto do Lago Michigan, de dirigir e passear sozinho pela sua livraria favorita em Chicago. Ele se irritou com a ideia de abandonar seu celular BlackBerry por motivos de segurança durante a transição presidencial.Construído pela General Motors especialmente para Obama, o carro é supostamente equipado com portas blindadas de 20 centímetros de espessura e armas automáticas calibre 12. Ele conta com câmeras de visão noturna, pneus reforçados com Kevlar e canhões de gás lacrimogêneo. Foi isolado contra ataques químicos e é equipado com um suprimento de oxigênio. E, apenas para garantir, o carro deixou a Residência Blair sob escolta de motocicletas da polícia, agentes do serviço secreto e uma equipe de contra-ataque. À tarde, quando Obama percorreu os 2,7 quilômetros do trajeto do desfile para seus eleitores, ele novamente ficou dentro da limusine e isolado do mundo. Estava protegido por dois conjuntos de grades, uma fileira de policiais fortemente armados e protegidos por equipamento de controle de distúrbios, oito motocicletas e quatro agentes do serviço secreto que caminhavam próximos ao carro. Vinte minutos após o início do desfile, o carro fez uma pausa súbita. A porta de Obama se abriu. Ele saiu do carro com a esposa, Michelle. Aplausos irromperam da multidão. Obama abriu um grande sorriso. Pela primeira vez durante todo o dia, o presidente saiu para caminhar.

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