Mohammed Mashhor/Reuters
Mohammed Mashhor/Reuters

Obama queria que Bin Laden soubesse que americanos não esqueceram os ataques

Após cinco anos do fim da caçada ao líder saudita, presidente dos EUA afirmou que o mundo é mais seguro sem ele e que a decisão de executar a operação foi acertada

O Estado de S. Paulo

03 Maio 2016 | 09h45

WASHINGTON - Cinco anos depois de as forças especiais americanas matarem Osama bin Laden, o presidente dos EUA, Barack Obama, disse que esperava que, em seus últimos instantes de vida, o mentor dos atentados de 11 de setembro de 2001 tenha compreendido que os americanos não esqueceram os ataques.

Em entrevista à emissora CNN, emitida na segunda-feira, Obama marcou o aniversário do que muitos veem como um dos maiores feitos de sua administração: o fim de uma longa caçada ao foragido líder saudita da Al-Qaeda, em 2 de maio de 2011, no Paquistão.

"Espero que naquele momento, ele tenha entendido que o povo americano não esqueceu das 3 mil pessoas que ele matou", disse o presidente americano.

Após a vitória simbólica, Obama eliminou a possibilidade de que utilizou sua estratégia contra o grupo terrorista como arma política.

Ele lembrou que o momento mais tenso foi quando um dos dois helicópteros que faziam a operação, parte de um programa secreto, se chocou com o muro da mansão de Bin Laden em Abbottabad, no Paquistão, e ficou fora de operação.

O presidente, sentado na Situation Room (a sala de reuniões de Inteligência no porão do ala Oeste da Casa Branca), explicou que logo após chegar, viu que a operação havia começado mal. "Chegamos no momento em que os helicópteros haviam aterrissado (...) e foi nesse momento que vimos que um deles tinha sofrido danos na aterrissagem", detalhou.

Esse primeiro contratempo pode ser visto nos rostos dos que assistiam ao vivo a operação naquela noite de domingo, entre eles a então secretária de Estado Hillary Clinton e o secretário de Defesa Robert Gates.

As forças especiais haviam preparado até o mínimo detalhe da operação que deveria se desenvolver sem o auxílio das autoridades do Paquistão e adentrar em Abbottabad, uma cidade turística de paquistaneses de alta e média renda.

Forças americanas tinham monitorado com drones e satélites a fortificada estrutura da mansão que Bin Laden compartilhava com esposas e filhos, construído um modelo em escala real e ensaiado várias vezes cada um dos movimentos para capturar o líder terrorista.

Mas, segundo lembrou Obama na entrevista, não levaram em conta que as mudanças de temperatura em um espaço fechado aumentavam as possibilidades de perder o controle na aterrissagem, como ocorreu com uma das aeronaves, que teve que ser destruída com explosivos para evitar o roubo de sua tecnologia.

No entanto, a operação continuou sem feridos, e nove minutos depois um dos membros dos Navy Seals localizou Bin Laden no terceiro andar do edifício e o matou com um disparo certeiro de fuzil.

Obama argumenta que o mundo é mais seguro sem Bin Laden e que a decisão de executar a operação, pela qual ele se inclinava desde o início dos debates, foi acertada.

A morte de Bin Laden moderou as críticas de alguns republicanos que tachavam sua política contra o islamismo radical de pouco resolutiva, diminuiu o impacto das vozes contra os bombardeios seletivos com drones no Paquistão e Afeganistão, e concedeu um ar vitorioso a Obama a um ano de enfrentar a reeleição.

Segundo explicou o presidente na entrevista transmitida pela CNN, o projeto e desenvolvimento da operação mostraram que "os bons processos levam a bons resultados". "Não olhamos para este assunto com lente cor de rosa, sabíamos dos riscos que enfrentaríamos", ressaltou.

Obama terminará seu segundo mandato em janeiro, com a Al-Qaeda sensivelmente debilitada pelos ataques com drones e ofuscada pelos extremistas do grupo Estado Islâmico. /AFP e EFE

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