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Obama espera que embaixada em Cuba seja aberta até abril

Presidente afirmou que normalização da relação com a ilha pode levar tempo e citou situação na Rússia em entrevista à 'Reuters'

O Estado de S. Paulo

03 Março 2015 | 08h13

WASHINGTON - O presidente Barack Obama disse na segunda-feira 2 ter esperanças de que os EUA consigam abrir uma embaixada em Cuba antes da reunião de cúpula de países americanos marcada para meados de abril no Panamá.

"Minha esperança é que sejamos capazes de abrir uma embaixada e alguma parte do trabalho inicial de base seja apresentado antes da Cúpula das Américas, na Cidade do Panamá", disse Obama em uma entrevista à Reuters.

O presidente americano também alertou que será preciso mais tempo para uma normalização total das relações com Cuba, após mais de meio século de ruptura. "Mantenham em mente que nossa expectativa nunca foi a de que atingiríamos totalmente as relações normais imediatamente. Há muito trabalho que ainda precisa ser feito."

Washington e Havana anunciaram em 17 de dezembro que planejavam restaurar relações diplomáticas após 18 meses de negociações secretas.

Enquanto críticos, incluindo alguns parlamentares americanos, dizem que o encerramento das tentativas dos EUA de isolar Cuba representava um presente ao governo da ilha, Obama afirma haver sinais de que o passo esteja levando Havana a se liberalizar. "Estamos trilhando um caminho no qual podemos abrir nossas relações com Cuba de uma maneira que em última instância vai levar a mais mudanças em Cuba. E já estamos vendo isso."

"O simples fato de que, desde o nosso anúncio, o governo cubano começou a discutir maneiras pelas quais eles vão reorganizar sua economia para acomodar possíveis investimentos estrangeiros, isso já é forçar uma série de mudanças que prometem abrir ainda mais as oportunidades para empreendedores, mais transparência em termos do que está acontecendo na economia", acrescentou Obama.

O presidente também disse que a política de isolamento usada até hoje não deu resultados. "Após 50 anos de uma política que não funcionou, nós precisamos tentar algo novo que encoraje e, em última instância, eu acho que força o governo cubano a se engajar em uma economia moderna."

As equipes de negociação dos EUA e Cuba realizaram uma segunda rodada de conversas em Washington na sexta-feira e disseram ter feito progresso, embora não tenham especificado uma data para uma renovação formal das relações diplomáticas.

Rússia. Questionado sobre a morte do opositor russo Boris Nemtsov, Obama disse que o caso é um sinal do agravamento do clima na Rússia. "A sociedade civil, jornalistas independentes, pessoas que tentam se comunicar na Internet, se sentem cada vez mais ameaçados, constrangidos. E cada vez mais a única informação que o público russo é capaz de obter é por meios de comunicação controlados pelo Estado."

Obama defendeu uma investigação completa sobre o assassinato de Nemtsov, ex-vice-premiê e crítico do presidente russo, Vladimir Putin.

Obama se reuniu com Nemtsov durante uma viagem em 2009 a Moscou, onde o presidente dos EUA manteve conversações com partidos da oposição.

Irã. Obama também comentou as negociações nucleares com o Irã e afirmou que Teerã precisa se comprometer com um congelamento verificável de pelo menos 10 anos de sua atividade nuclear para que um importante acordo seja alcançado.

O objetivo dos EUA é se certificar de que "haja pelo menos um ano entre percebermos que estão tentando obter uma arma nuclear e eles realmente serem capazes de obtê-la", disse Obama.

Israel teme que a diplomacia de Obama com o Irã, que prevê um acordo nuclear até o fim de março, ainda permita o desenvolvimento de uma bomba atômica. Teerã nega que esteja buscando armas nucleares.

Obama procurou minimizar os danos a longo prazo da polêmica sobre o discurso de Netanyahu ao Congresso americano, dizendo que o impasse não era pessoal e receberá o líder israelense novamente se ele ganhar a eleição israelense de 17 de março, mas afirmou que o premiê se equivocou anteriormente com sua oposição a um acordo provisório de 2013 com o Irã. /REUTERS

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