Obama está aberto a encontro com presidente do Irã, afirma Casa Branca

EUA dizem que reunião com Rohani pode ocorrer, à margem de cúpula da ONU na próxima semana

O Estado de S.Paulo,

19 de setembro de 2013 | 22h36

TEERÃ - Em resposta aos sinais de diálogo emitidos por Teerã, o governo dos EUA disse nesta quinta-feira que o presidente Barack Obama "está aberto" à ideia de se encontrar pessoalmente com seu colega iraniano, o recém-eleito Hassan Rohani. O presidente da república islâmica está a caminho de Nova York, onde participará, na semana que vem, da sessão de abertura da Assembleia-Geral das Nações Unidas.

Após evitar, ao longo dos últimos dias, comentar rumores de um possível diálogo direto entre Obama e Rohani, o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, disse que uma reunião à margem da cúpula da ONU pode ocorrer, embora ainda não esteja na agenda. Carney reconheceu que o Irã vem adotando medidas para distender as relações com os EUA, mas reforçou que o encontro só acontecerá se os iranianos estiverem "seriamente" dispostos a dar garantias sobre seu programa nuclear.

"Tem havido muitas coisas interessantes em Teerã por parte do novo governo, coisas alentadoras, mas ações valem mais do que palavras", afirmou o porta-voz. "É possível (que haja um encontro entre os presidentes), mas isso sempre foi possível", completou.

Foi confirmado nesta quinta-feira que o único deputado judeu do Parlamento iraniano acompanhará Rohani na visita a Nova York. A decisão de levar Siamak Moreh Sedgh, de 48 anos, representante da comunidade judaica que restou no Irã, marca mais uma ruptura em relação ao antecessor de Rohani, Mahmoud Ahmadinejad, que repetidamente questionou o Holocausto.

A rede de TV americana NBC transmitiu nesta quinta-feira mais um trecho da entrevista com Rohani, na qual ele defendeu que os iranianos tenham "completa liberdade em suas vidas privadas". "Pensar livremente é direito de todas as pessoas, incluindo dos iranianos", ressaltou o clérigo, único candidato a disputar as eleições iranianas de julho que não pertencia aos blocos conservador ou ultrarradical.

Rohani voltou a dizer que o Irã "nunca fabricará armas de destruição em massa" e disse ter autoridade para conduzir as negociações nucleares. "Acreditamos na cédula de votação. Não buscamos guerra com nenhum país", completou.

O Ocidente e seus aliados acusam o Irã de tentar fabricar armas nucleares. Teerã nega a acusação e diz que seu programa atômico tem fins pacíficos. Na entrevista, Rohani criticou Israel, dizendo que "um país que pratica a ocupação" não pode dar lições de moral ao mundo. Mas, ao contrário de Ahmadinejad, não pediu que a "entidade sionista" seja "riscada do mapa".

Vários sinais de moderação vêm sendo enviados de Teerã por diferentes autoridades. Desde sua campanha, Rohani prometeu abertura dentro e fora do Irã, rompendo com seu antecessor. Na quarta-feira, 12 presos políticos iranianos foram subitamente libertados. Indicando que o presidente tem seu apoio, o líder supremo, Ali Khamenei, disse que a república islâmica pode mostrar "heroica flexibilidade diplomática" no diálogo nuclear com o Ocidente. E o chanceler iraniano, Mohammad Jadad Zarif, saudou os judeus no feriado do Rosh Hashaná, o ano novo judaico.

Em encontro com Zarif, em Nova York, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, teceu nesta quinta-feira elogios às medidas adotadas pelo Irã. "Manifestei ao ministro que valorizo os esforços do novo governo para promover o diálogo com a comunidade internacional", disse Ban ao final da reunião com Zarif. /AP, REUTERS e EFE

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