Obama estuda fórmulas legais para lançar ação contra Estado Islâmico

O presidente dos EUA quer que o Congresso injete cerca de US$ 5 bilhões em um fundo de contraterrorismo para equipar parceiros em outros países

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2014 | 02h01

Antes de uma consulta ao Congresso hoje e o discurso do presidente Barack Obama ao povo americano amanhã sobre como os Estados Unidos combaterão a ameaça do Estado Islâmico (EI), a Casa Branca está trabalhando para criar um plano que evite obstáculos legais e se sustente durante um prazo mínimo de três anos - tempo estimado pelo Pentágono para completar a campanha contra o grupo extremista.

Segundo o governo americano, Obama quer que o Congresso injete cerca de US$ 5 bilhões em um fundo de contraterrorismo para treinar e equipar parceiros em outros países com o objetivo de combater o grupo radical, iniciativa que seria um componente central de seu plano de ação.

Obama acredita que tem a autoridade necessária para lidar com a ameaça que o EI representa para os cidadãos americanos, disse ontem Josh Earnest, porta-voz da Casa Branca. Mas se o presidente decidir ampliar as operações militares no Iraque e na Síria, terá de tomar uma decisão sobre se vai pedir autorização adicional ao Congresso.

"O presidente está interessado na aceitação (do Congresso), em um debate interno e em se consultar com os líderes no Congresso para que eles se sintam parte desse processo e como parceiros que realmente são, eleitos pelo povo americano", disse Earnest.

O porta-voz disse também que o presidente convidou quatro líderes do Congresso - os líderes democrata e republicano tanto da Câmara quanto do Senado - para ir à Casa Branca e discutir o combate ao EI.

Embora se movimente no sentido de garantir a legalidade da operação, o plano de Obama já está em curso. A primeira fase, uma campanha aérea que teve quase 145 bombardeios no mês passado, tem o objetivo de proteger minorias étnicas e religiosas, além de funcionários americanos da diplomacia, inteligência e militares e suas repartições, assim como reverter conquistas do EI no norte e oeste do Iraque.

A próxima fase, que começaria depois que o Iraque formar um governo mais inclusivo, que deve ocorrer esta semana, deve envolver um esforço no treinamento, aconselhamento ou equipamento do Exército iraquiano, combatentes curdos e até membros de tribos sunitas.

A fase final, mais dura e politicamente controversa, da operação - destruir o Exército terrorista e seu santuário dentro da Síria - pode não estar completa até a próxima administração.

Obama vai usar o discurso à nação amanhã para defender o lançamento de uma ofensiva liderada pelos EUA contra militantes sunitas ganhando terreno no Oriente Médio, buscando reunir apoio para uma missão militar mais ampla ao mesmo tempo que garante ao público que ele não está mergulhando as forças americanas em outra guerra do Iraque.

Enquanto os EUA avalia como expandir as operações contra o EI no Iraque, o secretário de Defesa, Chuck Hagel, está na Turquia como parte de um esforço para reunir uma coalizão contra o EI. O secretário de Estado americano, John Kerry, parte amanhã para a Jordânia e Arábia Saudita com o mesmo objetivo de impulsionar a coalizão internacional. Kerry fará paradas em Aman, capital da Jordânia, e em Jeddah, na Arábia Saudita, onde se reunirá com autoridades locais. / NYT e REUTERS

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