Obama evita radicalizar posição sobre gays

Casa Branca hesita em apoiar revisão de lei federal, defendida por líder do Senado

DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

11 Maio 2012 | 03h02

A Casa Branca emitiu ontem um claro sinal de que o presidente dos EUA, Barack Obama, não irá além de seu apoio verbal ao casamento entre homossexuais. O governo americano informou que não vai propor a eliminação da Lei de Defesa do Casamento. A legislação federal, de 1996, não reconhece a união entre pessoas do mesmo sexo.

O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, sublinhou ontem que Obama é contra a Lei de Defesa do Casamento (Doma, na sigla em inglês) e quer a sua eliminação. Mas, questionado por que o presidente não toma a iniciativa de pedir o fim dessa legislação, Carney desconversou.

Sem ação na Casa Branca, o líder da maioria democrata do Senado, Harry Reid, anunciou sua decisão de incluir o fim da Doma no projeto de plataforma do partido, a ser decidido em setembro. Obama, entretanto, não endossou a iniciativa de Reid. "A plataforma do partido é uma questão para o partido decidir", disse Carney. No mês passado, a Casa Branca desistiu de levar adiante o projeto de acabar com as discriminações a homossexuais nas contratações dos órgãos públicos federais.

O constrangimento do governo tornou-se ainda maior com o vazamento da informação de que o vice-presidente, Joe Biden, pedira desculpas a Obama por ter expressado seu apoio ao casamento entre pessoas do mesmo sexo no domingo. Sua atitude forçara o presidente a tomar partido em um tema que lhe custaria os votos de parte do eleitorado negro, latino e anglo-saxão em Estados cruciais.

Ontem, o cardeal Timothy Dolan, presidente da Conferência dos Bispos Católicos dos EUA, afirmou-se "profundamente triste" com o apoio de Obama ao casamento entre homossexuais. O pastor pentecostal Charles Bargaineer, de uma das maiores comunidades religiosas negras de Orlando, Flórida, declarou que vai rever seu voto a Obama. "A Bíblia é contrária a isso."

Segundo Michael Barone, analista político conservador, a decisão de Obama reflete a opção pelos eleitores jovens, em detrimento dos negros religiosos. "Obama precisa repetir, neste ano, o entusiasmo visto na campanha de 2008. Jovens tendem a ser fortemente a favor do casamento gay. Os negros, fortemente contra. Essa é uma faca de dois gumes", avaliou.

Nove minutos após a fala do presidente, US$ 1 milhão havia ingressado em doações. Hoje, em Los Angeles, a expectativa é de coleta de US$ 15 milhões em um jantar organizado pelo ator George Clooney em sua casa.

Na segunda-feira, Obama se encontrará com o cantor Rick Martin, assumidamente gay, num evento de arrecadação de fundos. "Aplaudo o presidente por afirmar que todos os americanos devem ter direitos iguais. Histórico", tuitou o cantor.

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