Obama expressa 'grande preocupação' com civis, mas hesita em agir na Síria

O presidente dos EUA, Barack Obama, quebrou ontem seu silêncio sobre o massacre em Damasco - conforme denunciado pela oposição síria - e a crise no Egito ao declarar que seu governo lidará com ambas as questões sob o estrito contexto do "interesse americano".

DENISE CHRISPIM MARIN , CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2013 | 02h00

Cauteloso, Obama não abraçou diretamente a pressão de França e Grã-Bretanha por uma intervenção internacional na Síria, mas disse não ter dúvidas de que o ataque na Síria se deu com armas químicas e classificou o episódio como de "grande preocupação para os EUA" e "muito perturbador".

Diante da câmera, Obama não lembrava o líder que desafiara o governo de Bashar Assad ao dizer, em agosto de 2012, que a Síria cruzaria uma "linha vermelha" se lançasse um ataque químico. Com a expressão, ele definira o momento em que a intervenção internacional se faria necessária. Ontem, entretanto, ele sublinhou que seu governo precisa de "claras evidências" e um "mandato da ONU" para atacar a Síria.

Ele também se somou aos líderes que, desde quarta-feira, vêm pedindo para Assad autorizar os inspetores da ONU a realizar as investigações no local. Mas se esquivou de atribuir a autoria do ataque ao regime de Assad, como fizera seu porta-voz ao longo da semana. Adiantou ainda que a relação dos EUA com o Egito não continuará a mesma. "A noção de que os EUA podem de alguma maneira resolver um problema sectário complexo na Síria algumas vezes é exagerada", afirmou Obama, na entrevista à rede de televisão CNN.

"Nós continuamos a ser uma nação indispensável. Mas isso não quer dizer que temos de estar envolvidos em tudo imediatamente", afirmou. "Temos de pensar estrategicamente qual será nosso interesse nacional em longo prazo, mesmo que trabalhemos em cooperação internacional para fazer o possível para pressionar os que estão matando civis inocentes."

Embora tenha reconhecido que o prazo para uma solução razoável para essas duas mais recentes crises no Oriente Médio está se "encurtando", Obama indicou que o envolvimento em um novo conflito não é "interesse americano". "Ainda temos uma guerra em andamento no Afeganistão", argumentou. "Toda vez que vou ao (hospital militar) Walter Reed, visito soldados feridos e escrevo uma carta sobre uma morte na guerra, sou lembrado que há custos a serem levados em conta se queremos trabalhar no sentido de fazer de tudo para ver Assad deposto e restaurar o sentido do processo democrático e a estabilidade no Egito", completou.

Obama deixou claro que não é mais possível para os EUA retomar a habitual relação com o Egito depois da violenta reação do governo interino egípcio aos manifestantes da oposição e de sua rejeição à alternativa proposta por europeus e americanos. Essa opção envolvia convocação de eleições, libertação de presos políticos e diálogo com a Irmandade Muçulmana.

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