Obama fala sobre espionagem e Afeganistão em Berlim

Na tentativa de conter as preocupações a respeito dos programas de vigilância norte-americanos, o presidente Barack Obama defendeu nesta quarta-feira as medidas adotadas como esforços bem orientados, que salvaram as vidas e impediram pelo menos 50 ameaças terroristas.

Agência Estado

19 de junho de 2013 | 10h09

"Esta não é uma situação na qual estamos vasculhando e-mails comuns" de um grande número de cidadãos dos Estados Unidos ou de outros países, declarou o presidente durante uma coletiva de imprensa com a chanceler alemã Angela Merkel. Ele afirmou que são programas "circunscritos, limitados".

"Vidas foram salvas", afirmou Obama, acrescentando que o programa é supervisionado de perto por tribunais, para assegurar que qualquer invasão de privacidade seja estritamente limitada.

Merkel, por sua vez, disse que foi importante continuar a debate sobre como chegar a "um equilíbrio justo" entre segurança e proteção de liberdades individuais. "Tem de haver proporcionalidade", disse ela. Merkel afirmou também que a discussão sobre o assunto, nesta quarta-feira, foi "um importante primeiro passo" sobre como se chegar ao equilíbrio.

Aparentemente, Merkel tentou evitar qualquer diferença de opinião em público com Washington sobre o programa de vigilância, principalmente porque os alemães se beneficiam das informações de inteligência norte-americanas. A maior parte das críticas alemãs sobre o programa vieram de partidos menores da coalizão de governo, que enfrentam a ameaça de derrota nas eleições de setembro.

Os dois líderes falaram com a imprensa após se reunirem privadamente para discutir uma série de questões enfrentadas pelos líderes europeus, dentre elas os frágeis esforços para levar a paz ao Afeganistão, onde as negociações de paz com o Taleban têm como objetivo encerrar a guerra, que já dura quase 12 anos.

Na manhã desta quarta-feira, o presidente afegão Hamid Karzai suspendeu as negociações com os Estados Unidos sobre um novo acordo de segurança para protestar contra a forma como seu governo foi deixado de lado nas negociações iniciais com o Taleban.

Obama disse que os Estados Unidos haviam antecipado que "haverá algumas áreas de atrito, para dizer o mínimo, para dar início às conversações. Isso não é surpresa. Eles vêm lutando há muito tempo" e a desconfiança é muito grande.

Nesta quarta-feira, Karzai disse que as conversações não podem começar em meio a "confrontos e derramamento de sangue", mas Obama disse que é importante assegurar um caminho paralelo de reconciliação, mesmo que os confrontos continuem e que vai depender do povo afegão se os esforços trarão resultados. Fonte: Associated Press.

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