Obama faz apelo para conciliação com Irã

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fez um apelo direto ao povo iraniano para a resolução das diferenças entre os dois países, numa tentativa de superar décadas de desconfiança e animosidade e construir um caminho de conciliação. O discurso, um dos mais importantes em política externa do mandato ainda recente de Obama, foi gravado para marcar o início do Ano Novo iraniano, que será hoje. Uma versão do vídeo com legendas na língua persa foi distribuída às agências de notícias da região.

AE, Agencia Estado

20 de março de 2009 | 06h57

Obama disse que Washington está comprometida com a busca de "laços construtivos" com a república islâmica, e que Teerã pode assumir seu lugar de direito no mundo se renunciar ao terrorismo e abraçar a paz. "Meu governo está comprometido com a diplomacia que toca num amplo conjunto de questões diante de nós, e para buscar laços construtivos entre os EUA, o Irã e a comunidade internacional", afirmou. "Por quase três décadas, as relações entre nossos países foram tensas", disse o presidente. "Mas neste feriado somos lembrados da humanidade que nos une." Os dois países não têm relações diplomáticas desde 1980.

Obama disse que as celebrações do Ano Novo iraniano marcam um "novo começo" e afirmou que quer "falar claramente aos líderes iranianos" sobre a necessidade de uma nova era de "relacionamento honesto, baseado no respeito mútuo". Sem repetir as acusações que os EUA têm feito acerca do apoio iraniano às atividades terroristas, ou sobre o programa nuclear do país, Obama disse que "os EUA querem que a República Islâmica do Irã assuma seu lugar de direito na comunidade de nações".

Ele ressalvou, porém, que "isso chega com responsabilidades reais", e declarou que "esse lugar não pode ser atingido por meio do terror ou de armas, mas sim através de ações pacíficas que demonstrem a verdadeira grandeza do povo e da civilização iraniana". Segundo Obama, "a medida dessa grandeza não é a capacidade de destruir, é a sua demonstrada capacidade de construir e criar". Apesar da ressalva, o discurso do presidente americano sinalizou que seu governo reconhece o Irã como um possível parceiro de negociação e que Obama descartou a opção militar como forma de impedir o Irã de obter armas nucleares. As informações são da Dow Jones.

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