Obama faz chamado à união e diz a americanos que 'melhor está por vir'

Presidente garante segundo mandato apesar de economia cambaleante e promete trabalhar com Mitt Romney para fazer 'país avançar'.

BBC Brasil, BBC

07 de novembro de 2012 | 08h57

Horas após ser eleito para um segundo mandato na Casa Branca, o presidente dos EUA, Barack Obama, disse na madrugada desta quarta-feira aos americanos "que o melhor está por vir", e fez um chamado à união de democratas, republicanos e independentes - afirmando que conversaria com seu adversário, Mitt Romney, sobre como trabalhar juntos para "fazer o país avançar".

Obama garantiu os 270 votos necessários no Colégio Eleitoral para vencer a eleição, apesar da insatisfação da maior parte da população com o estado da economia, e de uma campanha vigorosa que o pôs cabeça a cabeça com Romney até o último segundo.

Os democratas de Obama mantiveram sua maioria no Senado (que mantêm desde 2007) enquanto os republicanos mantiveram o controle da Câmara de Representantes. Segundo analistas, isso deverá causar o mesmo tipo de impasse que paralisou o legislativo em parte do primeiro mandato de Obama, com a Casa Branca e o Congresso em conflito sobre vários tópicos.

Em seu discurso de vitória, pronunciado diante de centenas de correligionários no QG democrata em Chicago, Obama agradeceu ao apoio dos partidários, da família e desafiou seus adversários, ao pedir que trabalhassem com ele.

"Nós nos levantamos, demos a volta por cima e sabemos nos nossos corações que para os EUA, o melhor ainda está por vir", disse Obama.

Ele afirmou que voltava à Casa Branca "mais determinado, e mais inspirado do que nunca a respeito do trabalho que há a fazer, e ao futuro que está à frente".

Ele prometeu trabalhar com líderes republicanos no Congresso para reduzir o déficit orçamentário do governo, reformar o sistema de impostos e de imigração.

"Somos uma família americana e caímos e nos erguemos juntos como nação", disse ele.

Homenagem 'a essa grande nação', diz Romney

Com apenas os 29 votos no Colégio Eleitoral correspondentes à Flórida por decidir, Obama tinha 303 votos contra 206 de Romney. O voto popular, que é simbolica e politicamente importante mas não necessariamente decisivo na corrida, continuava bastante disputado.

De acordo com a Constituição americana, cada estado recebe um número de votos no Colégio Eleitoral, proporcional à sua população. O candidato que conquistar 270 votos se torna presidente.

Em Boston, onde sua campanha foi baseada, Romney parabenizou o presidente e disse que ele e Paul Ryan, seu candidato a vice, deram tudo o que podiam durante a campanha.

Referindo-se à economia cambaleante, Romney disse que agora não era hora para "picuinhas partidárias e demonstrações de força políticas", e afirmou que republicanos e democratas devem por "o povo antes da política".

Romney parabenizou Obama e sua equipe: "Eu quis tanto ser capaz de responder a suas esperanças e dirigir o país em uma rota diferente, mas a nação escolheu outro líder, e então me junto a vocês para prestar homenagem sinceramente (a Obama) e a essa grande nação", disse ele.

Na terça-feira, o presidente garantiu um novo mandato ao conquistar estados solidamente democratas e alguns chamados estados-pêndulo como Colorado, Iowa, Pensilvânia, Michigan, Minnesota, Virgínia e Wisconsin. Sua vitória apertada em Ohio - um estado crítico do meio-oeste - selou a vitória.

Romney conquistou Carolina do Norte e Indiana, ambos conquistados por Obama em 2008, assim como estados consagradamente republicanos. Mas ele não foi capaz de vencer em Ohio ou outros estados que precisava para atingir a marca dos 270.

Também em jogo na terça-feira estavam 11 governos estaduais, um terço dos assentos do Senado e todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes.

A vitória de Obama ocorreu apesar de um nível alto de desemprego - 7,9% no dia da eleição - e de um crescimento econômico tépido.

Eleitores, entretanto, deram a ele crédito pelo resgate, em 2009, da indústria automobilística dos EUA, entre outras conquistas, e o recompensaram pela operação que matou Osama bin Laden no Paquistão, ano passado. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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