Obama faz duro alerta ao Irã na ONU

Discurso. No primeiro dia de reunião da Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova York, presidente dos EUA ataca a intolerância e o extremismo, defende os protestos da Primavera Árabe e diz que não aceitará que Teerã obtenha uma arma nuclear

GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2012 | 03h06

Em seu discurso na Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, o presidente dos EUA, Barack Obama, atacou duramente a intolerância e o extremismo, defendeu a Primavera Árabe e, mais uma vez, insistiu que não aceitará um Irã nuclear. Diferentemente de outros anos, sua passagem pela ONU durou menos de uma hora, incluindo o tempo em que discursou no plenário.

Desta vez, Obama não manteve reuniões bilaterais com líderes de outros países e, logo depois de falar, deixou a sede da ONU sem assistir a outros chefes de Estado e de governo.

Ao comentar a questão nuclear iraniana na ONU, Obama disse que "os EUA pretendem resolver esse problema por meio da diplomacia". "Acreditamos que ainda temos tempo e espaço para conseguir atingir esse objetivo. Mas nosso tempo não é ilimitado", afirmou o presidente.

"Um Irã nuclear não é uma ameaça que pode ser contida. Seria uma ameaça para Israel, para as nações do Golfo e para a estabilidade da economia global. Pode provocar uma corrida nuclear na região e minar o Tratado de Não Proliferação (TNP). Por isso, os EUA farão o que devem fazer para impedir os iranianos de conseguirem uma arma atômica."

A declaração ocorreu em meio a pressões do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu. Ele acusa o governo americano de não impor limites ao programa nuclear iraniano, que, segundo Teerã, tem fins civis.

Em declarações durante sua visita a Nova York, antes do discurso previsto para hoje, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou haver dois pesos e duas medidas na questão iraniana.

Admitindo ter "cometido erros", o líder iraniano defendeu que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) também inspecione instalações israelenses - Israel não é signatário do TNP, não nega e tampouco confirma ter armas atômicas.

Palestina. No discurso de ontem, Obama evitou dar detalhes sobre a paz no Oriente Médio e não falou em fronteiras, como havia feito no passado, quando defendeu as linhas pré-1967, com um Estado palestino na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. Desta vez, ele optou pela cautela e disse ser a favor de "um Estado judaico de Israel seguro e uma Palestina independente e próspera".

Em novembro, a Autoridade Palestina tentará ser aceita como Estado observador das Nações Unidas - mesmo status do Vaticano. O governo de Mahmoud Abbas desistiu de ser membro pleno, porque os EUA deixaram claro que vetariam o pedido no Conselho de Segurança. A decisão de adiar a iniciativa para depois das eleições americanas seria uma forma de evitar fortalecer o republicano Mitt Romney, visto como pró-Israel.

Apesar de afirmar que "o futuro da Síria não pertence a um ditador que massacra seu próprio povo", ao se referir a Bashar Assad, Obama não mencionou uma intervenção militar e tampouco disse apoiar a oposição. Em Washington, há uma crescente insatisfação com a radicalização dos rebeldes armados na Síria.

Vídeo. Ao longo do discurso, Obama, mais uma vez, criticou o vídeo anti-islâmico que causou uma onda de protestos no mundo muçulmano. Ele lamentou a reação violenta e disse que seu governo não poderia ter feito nada, pois a liberdade de expressão é garantida pela Constituição americana.

"O impulso em direção à intolerância pode ser inicialmente focado no Ocidente, mas, com o tempo, não pode ser contido. O mesmo impulso em direção ao extremismo é usado para justificar a guerra entre sunitas e xiitas, entre tribos e clãs. Isso não leva à prosperidade, mas ao caos. Em menos de dois anos, vimos mais protestos pacíficos provocarem mudanças em países de maioria islâmica do que uma década de violência", disse o presidente dos EUA.

O discurso foi construído ao redor da história do embaixador dos EUA na Líbia Christopher Stevens, morto em violento protesto contra a representação diplomática americana na cidade de Benghazi. "Ele incorporava o melhor dos americanos", disse Obama. Ele lembrou ainda que Stevens "trabalhou para defender as aspirações de todos os povos".

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