Obama faz juramento e toma posse de seu 2º mandato

O presidente dos EUA, Barack Obama, deu início a seu segundo mandato de quatro anos neste domingo, ao prestar juramento à Constituição em uma cerimônia discreta na Casa Branca. A maioria das celebrações relacionadas à posse está marcada para a segunda-feira, coincidindo com o feriado nacional em homenagem ao líder da luta pelos direitos civis para os negros Martin Luther King Jr., assassinado em 1968.

RENATO MARTINS, Agência Estado

20 de janeiro de 2013 | 17h04

Às 11h55 locais (14h55 em Brasília), no Salão Azul da Casa Branca, Obama jurou respeitar a Constituição diante do presidente da Suprema Corte, John Roberts. Estavam presentes a primeira-dama, Michelle Obama, e as duas filhas do presidente, além de um pequeno grupo de jornalistas. O vice-presidente Joe Biden já havia prestado juramento mais cedo, à juíza da Suprema Corte Sonya Sotomayor, em sua residência oficial no Observatório Naval dos EUA.

"Eu fiz", disse Obama à sua filha mais nova, Sacha, depois de fazer o juramento. Ele não fez nenhuma outra declaração.

Como a Constituição determina que o mandato do presidente comece em 20 de janeiro, e a data caiu num domingo, a Casa Branca organizou a agenda de modo que o juramento fosse feito nesse dia. A cerimônia será repetida nesta segunda-feira nos degraus do Capitólio, diante de um público que poderá chegar a 800 mil pessoas. Depois disso, Obama deverá caminhar pela avenida Pensilvânia até a Casa Branca. As festividades deverão ser concluídas à noite, com um baile de gala.

Na manhã deste domingo, Obama e Biden prestaram homenagem ao Túmulo do Soldado Desconhecido no Cemitério Nacional de Arlington, nos arredores de Washington. Depois disso, o presidente e sua família foram à missa na Igreja Episcopal Metodista Negra Metropolitana. O coro e a congregação cantaram "Parabéns a Você" para a primeira-dama, que fez 49 anos na semana passada. Obama cantou abraçado a Michelle, que vestia um casaco azul escuro.

Obama, 44º presidente dos EUA e primeiro negro a ocupar o cargo, assumiu seu primeiro mandato em meio a esperanças de que ele conduzisse um país dividido a uma reconciliação. As guerras no Iraque e no Afeganistão e o aprofundamento da divisão entre ricos e pobres haviam levado os dois partidos políticos do país a uma radicalização crescente. Seus primeiros quatro anos no cargo, porém, foram marcados por divisões ainda mais fortes, em razão da crise financeira e dos impasses que ela provocou nas áreas de política econômica e fiscal.

No plano das políticas de governo, Obama, que foi homenageado com o Prêmio Nobel da Paz logo depois de assumir seu primeiro mandato, em 2009, viu-se obrigado a recuar de sua promessa de fechar a prisão da base militar de Guantánamo, em Cuba, onde dezenas de suspeitos de colaboração com o terrorismo permanecem detidos sem acesso a garantias legais e sem perspectiva de irem a julgamento. Embora tenha assinado uma ordem executiva proibindo o uso de tortura, seu governo bloqueou as investigações sobre abusos cometidos durante a administração de seu antecessor, George W. Bush.

Seus maiores sucessos foram a aprovação de uma reforma ampla no sistema de saúde pública dos EUA, o que seu companheiro de Partido Democrata Bill Clinton não havia conseguido fazer nos anos 1990, e a localização e assassinato do líder terrorista de origem saudita Osama bin

Laden, em maio do ano passado. Boa parte de seu foco se dirigiu à recuperação da economia depois da crise financeira de 2008.

Em seu segundo mandato, Obama terá de lidar com a regulamentação das leis de supervisão do setor financeiro aprovadas em 2010, diante de uma pressão forte do setor financeiro para que essas reformas sejam diluídas. Desde os primeiros dias, seu governo estará engajado em negociações com o Partido Republicano sobre o aumento do limite legal de endividamento do governo e sobre maneiras de reduzir a dívida pública nos próximos anos.

Ainda no plano nacional, suas propostas para limitar o acesso dos cidadãos a armas automáticas, de modo a reduzir o número de chacinas, e de ampliar os direitos dos imigrantes, entre eles o acesso aos sistemas de saúde e educação, deverão enfrentar oposição vigorosa por parte dos setores mais conservadores. A expectativa é de que Obama apresente ainda neste ano um projeto de lei que legalize a situação de milhões de imigrantes ilegais.

No cenário internacional, o combate ao terrorismo, o esforço para impedir que o Irã desenvolva tecnologia nuclear até o ponto de poder produzir armamentos, a guerra civil em andamento na Síria e as tensões causadas pela ocupação de territórios palestinos por Israel deverão ser dominantes, assim como as relações com a Rússia e com a China. As informações são da Associated Press.

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