Obama faz visita surpresa a Bagdá

Presidente dos EUA encerra turnê de 8 dias ao exterior com recado aos iraquianos: ?Chegou a hora da transição?

Patrícia Campos Mello, WASHINGTON, O Estadao de S.Paulo

08 de abril de 2009 | 00h00

Em visita surpresa a Bagdá, o presidente dos EUA, Barack Obama, afirmou que chegou a hora de "os iraquianos assumirem a responsabilidade por seu país". Diante de uma plateia de 600 soldados americanos em Bagdá, Obama elogiou a ação dos militares, mas lembrou que os EUA não ficarão para sempre no país. Confira fotos, vídeo e áudio dos principais momentos da Guerra do Iraque"Vocês deram aos iraquianos a oportunidade de se virarem sozinhos, como um país democrático. Mas chegou a hora de fazer a transição. Os iraquianos precisam se responsabilizar por seu país e por sua soberania", discursou Obama. Para isso, disse o presidente, será necessário que o Iraque passe por "acomodações políticas", trocando a violência sectária "por mecanismos legais e constitucionais" para resolver suas divergências. "Não podemos fazer isso pelos iraquianos."Bagdá foi a última escala de sua viagem de oito dias ao exterior. A capital iraquiana, entretanto, não estava no itinerário oficial do presidente. Obama alertou os soldados que os próximos 18 meses serão "um período crítico". Em um pronunciamento conjunto com o primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, o líder americano voltou a mencionar o dia 31 de agosto de 2010 como prazo final para retirada das brigadas de combate do Iraque. De acordo com um pacto firmado entre Washington e Bagdá em dezembro, todos os soldados americanos deverão deixar o território iraquiano até o fim de 2011.?BOM VIZINHO, BOM ALIADO?No entanto, nas últimas 48 horas, o Iraque foi alvo de sete ataques a bomba, que mataram pelo menos 41 pessoas - recado ao governo americano de que a estabilidade no país é relativa e a retirada das forças estrangeiras terá de ser cuidadosamente administrada. Obama disse aos soldados que eles serão "essenciais para garantir que o país fique estável, não se torne um santuário para terroristas, que seja um bom vizinho e bom aliado. Assim, poderemos começar a trazer nossos soldados para casa".Em sua primeira visita ao Iraque como presidente - ele já havia aterrissado duas vezes no país como senador - , Obama foi recebido com aplausos e festa pelas tropas americanas. Uma multidão fardada erguia câmeras digitais para registrar fotos do presidente e mulheres gritavam "Eu te amo!". "Amo vocês também", devolveu Obama.ESTRATÉGIAO presidente dos EUA passou 5 horas no território iraquiano, mas não saiu da Base de Camp Victory - maior instalação dos EUA no Iraque, onde vivem 4.265 militares. Segundo a segurança pessoal do presidente, "condições climáticas" o teriam impedido de deixar a base. Lá, ele se encontrou com Maliki e o presidente Jalal Talabani, além do comandante das forças americanas no Iraque, general Ray Odierno. "Deixei claro para os meus comandantes que precisamos ter uma estratégia flexível. Mas devemos manter o foco no treinamento das forças iraquianas, para que elas possam assumir a liderança no combate às ameaças à segurança do país. E a redução das tropas vai levar à retirada total dos EUA até o final de 2011", explicou Obama.

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