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Obama ganha apoio de presidente da Câmara para ataque à Síria

Presidente lança ofensiva por aval do Congresso e fala em respaldo abrangente a rebeldes sírios

Cláudia Trevisan, correspondente em Washington,

03 de setembro de 2013 | 11h51

(Atualizada às 17h55 ) WASHINGTON - Dentro de sua ofensiva para obter autorização no Congresso para atacar a Síria, o presidente americano, Barack Obama, obteve na manhã desta terça-feira, 3, o apoio do presidente da Câmara dos Representantes, o republicano John Boehner, e da líder da minoria democrata na casa,  Nancy Pelosi. Antes do encontro, Obama havia declarado que o ataque se encaixa em uma "estratégia abrangente" de fortalecer a oposição ao regime de Bashar Assad, em uma linguagem semelhante à usada segunda-feira pelo senador republicano John McCain, seu adversário na eleição de 2008. 

"Só os Estados Unidos têm as condições e a capacidade de deter esse tipo de ação", afirmou Boehner, em uma importante vitória na ofensiva de Obama para obter o aval dos deputados de oposição para a ação na Síria _os republicanos têm maioria na Câmara e estão longe de autorizar a ação. Os dois líderes se reuniram com Obama na Casa Branca para discutir o pedido enviado ao Congresso no sábado.

Na opinião de Pelosi, o presidente tem o poder de iniciar uma ação militar sem a autorização do Congresso, mas ressaltou acreditar que o governo conseguirá o sinal verde para agir.

Obama pretende retaliar Assad por um ataque contra civis na periferia de Damasco no mês passado que deixou 1,4 mil mortos. Segundo o governo americano, gás sarin foi usado na ofensiva. O presidente  disse que a eventual operação na Síria será proporcional, limitada e não envolverá a entrada de tropas americanas no país. "Isso não é Iraque e não é Afeganistão", afirmou, em referência às guerras nas quais os Estados Unidos se envolveram na última década.

Obama ressaltou que a importância do possível ataque não se restringe à Síria e tem o objetivo de enviar uma mensagem a todos os países que violem tratados internacionais. Se o uso de armas químicas não for punido, observou, isso fará com que normas que proíbem a proliferação nuclear "não signifiquem muito".

A principal preocupação dos EUA além das fronteiras da Síria é o Irã e sua ambição de ter armas atômicas. "É uma mensagem para outros países", afirmou, antes da reunião com líderes do Congresso na Casa Branca.

Durante a primeira audiência pública no Senado para discutir a ação na Síria, nesta terça-feira, os secretários de Estado, John Kerry, e de Defesa, Chuck Hagel, voltaram a defender o pedido de Obama por uma autorização no Congresso. "Não estamos pedindo à América para ir à guerra", afirmou Kerry. "Se não agirmos, isso vai criar uma prerrogativa de que o uso de armas de destruição em massa fica impune", acrescentou.

Apoio. Na segunda-feira, Obama se reuniu com o senador republicano John McCain, principal defensor de uma estratégia militar que tenha por objetivo a derrubada do regime de Assad, mas sem a invasão do país por tropas americanas. O caminho seria o apoio a setores moderados da oposição.

Os que se opõem a essa opção sustentam que há o risco de armas fornecidas pelos EUA caírem nas mãos de rebeldes da Al-Qaeda. O republicano condicionou seu apoio a Obama à apresentação de uma estratégia ampla para mudança de regime na Síria e não apenas ataques "cosméticos".

A julgar pela linguagem usada pelo presidente segunda-feira, ele acatou ao menos parcialmente os argumentos de McCain. Obama disse que a ação contra a Síria se encaixa em uma estratégia mais abrangente de fortalecer a oposição e, com o tempo, obter uma transição que leve à pacificação do país, com o uso concomitante de medidas "diplomáticas e econômicas".

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