AP/ Susan Walsh
AP/ Susan Walsh

Obama garante que EUA não estão ‘divididos como alguns sugeriram’ após massacre em Dallas

Presidente americano qualificou o autor dos disparos contra policiais de ‘indivíduo demente’ que não representa a população, e negou que o país esteja voltando à situação de protestos vista nos anos 1960

O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2016 | 16h47

VARSÓVIA - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, garantiu neste sábado, 9, que seu país "não está tão dividido como alguns sugeriram" após o assassinato de cinco policiais em Dallas e a morte de dois afro-americanos em ações das forças de segurança.

"Por mais dolorosa que tenha sido esta semana, acredito firmemente que os EUA não estão tão divididos como alguns sugeriram", disse Obama em entrevista coletiva ao término da cúpula da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) em Varsóvia.

Obama qualificou o autor do tiroteio em Dallas, o ex-soldado afro-americano Micah Xavier Johnson, como um "indivíduo demente" que não representa os americanos, e acrescentou que é "muito difícil" determinar o que o motivou a abrir fogo contra a polícia.

"Embora ele possa ter usado sua raiva em relação a outros incidentes (de violência policial contra minorias) como desculpa, de nenhuma forma isso representa o que pensa a grande maioria de americanos", destacou Obama.

O presidente dos Estados Unidos afirmou que "o perigo é sugerir que o ato de um indivíduo com problemas aponte para uma realidade política maior no país”.

Obama ressaltou ainda que "americanos de todas as raças e de diferentes origens estão indignados pelos indesculpáveis assassinatos de policiais, e isso inclui os manifestantes" que protestavam contra violência policial.

O líder americano negou que os Estados Unidos estejam retornando a uma situação de protestos e manifestações como a que marcou o país nos anos 1960, apesar dos repetidos ataques raciais. "Quando se começa a sugerir que de alguma forma há uma enorme polarização e que retornamos à situação dos anos 1960, isso não é correto", disse.

"Não estão sendo vistas revoltas, não está se observando a polícia atrás de pessoas que estão protestando de maneira pacífica", completou.

Obama insistiu que, depois do ataque em Dallas, "não se pode fingir" que uma legislação frágil sobre as armas é "irrelevante". "Se você se preocupa com a segurança dos oficiais de polícia, então não pode deixar de lado o tema das armas e fingir que é irrelevante".

Espanha. Obama iniciará na noite de sábado uma curta visita oficial à Espanha, que deve ser sua última escala na Europa antes de voltar à Casa Branca. Esta será também a única visita oficial do americano ao país, e a primeira de um presidente americano em 15 anos, desde que George W. Bush se reuniu em Madri em junho de 2001 com o então primeiro-ministro espanhol, José María Aznar.

O governo espanhol anunciou que a agenda de Obama, inicialmente de dois dias, seria encurtada após o tiroteio em Dallas. Ele cancelou a visita que faria à cidade de Sevilla. Para o presidente americano, a visita à Espanha é importante dentro da "prioridade geoestratégica" da Europa para os Estados Unidos, principalmente após a "traumática votação do Brexit que agravou as outras crises europeias: euro, refugiados, segurança e auge de movimentos populistas e soberanistas", disse o especialista espanhol em relações transatlânticas José M. de Areilza.

Otan. Barack Obama disse aos líderes de Alemanha, Itália, França e Reino Unido que eles devem "preservar a estabilidade e o bem-estar do projeto europeu", após a decisão dos britânicos de deixar a União Europeia, afirmou uma autoridade da Casa Branca.

Os líderes dos cinco principais membros da Otan também se reuniram com o presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, para expressar seu apoio a Kiev, após a Rússia anexar a Península da Crimeia e apoiar rebeldes no leste da Ucrânia.

"Os líderes concordaram que a Ucrânia fez progressos consideráveis em matéria de reformas políticas, econômicas e anti-corrupção, porém mais trabalho precisa ser feito para consolidar esses ganhos", disse a autoridade.

"Os líderes reafirmaram que as sanções só devem ser retiradas depois que a Rússia cumprir todas as suas obrigações de Minsk", acrescentou a fonte, referindo-se a um processo de paz no leste da Ucrânia. /Reuters, EFE e AFP

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