Obama garante votos para tratado de armas

Democratas conseguem virar o voto de opositores e devem aprovar Novo Start, peça central das relações com a Rússia

, O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2010 | 00h00

Depois de um tremendo esforço para romper o bloqueio do Partido Republicano, a Casa Branca conseguiu ontem dar início à votação no Senado do seu acordo de restrição de arsenais nucleares com a Rússia, o Novo Start. O mínimo de 60 votos necessários para sua aprovação estava garantido na tarde de ontem, com a mudança de posição pelo menos nove republicanos.

Por sustentar uma nova aliança entre Rússia e EUA, o projeto é considerado prioritário para a política exterior e de segurança da Casa Branca. Na manhã de ontem, o presidente dos EUA, Barack Obama, precisava de nove senadores republicanos favoráveis para completar os dois terços de votos necessários. As contas levavam em consideração o apoio maciço dos senadores democratas ao projeto de lei. Ao iniciar a votação, a Casa Branca estava convencida de ter alcançado todos eles. Em especial, dois célebres republicanos - Richard Lugar, de Indiana, e Lamar Alexander, do Tennessee. À tarde, 67 parlamentares, contra 28, votaram em favor de concluir os debates sobre o tema e iniciar a fase de decisão final. Até o começo da noite de ontem, porém, a votação não tinha terminado.

Além de respaldar uma linha essencial da política externa da Casa Branca, a aprovação significará a terceira grande vitória de Obama no chamado lame duck (pato manco, em inglês), o período de votação das últimas pendências do Congresso em final de mandato. A primeira foi a aprovação do pacote tributário de US$ 858 bilhões, na semana passada. A permissão de acesso de homossexuais às Forças Armadas foi a segunda vitória. A partir de janeiro, com a posse dos parlamentares eleitos em novembro, os democratas perderão o domínio da Câmara dos Deputados para os republicanos e terão uma maioria mais estreita no Senado.

"A questão é pessoal, mas o acordo significa muito mais que isso", afirmou o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, ao ser questionado sobre a razão da resistência republicana ao Novo Start.

"As pessoas compreendem que a redução (dos arsenais nucleares) é um legado de vários presidentes, incluindo o ex-presidente Ronald Reagan, e isso faz o mundo mais seguro", completou ontem, ao referir-se a um ícone do partido republicano.

A bancada republicana esforçou-se nas últimas semanas para adiar a votação do Novo Start para janeiro, sob o argumento de que faltava tempo para os debates. Depois, passou a exigir a votação de emendas, duramente criticadas pelo chanceler russo, Sergey Lavrov, que rejeitou a hipótese de renegociação do acordo. O Senado já havia realizado 18 audiências públicas sobre o acordo neste ano e, recentemente, foi respaldado por todos os ex-secretários de Estado, incluindo os de governos republicanos, e comandantes militares.

O Novo Start foi assinado em abril, como peça essencial da política americana de "reinício" de suas relações bilaterais com a Rússia. O acordo impõe um limite ao estoque de ogivas nucleares dos dois países, de 1.550 unidades, e tetos para os arsenais de lançadores de mísseis balísticos e de bombas equipadas com explosivo nuclear. Também cria um novo regime de inspeção dos arsenais americano e russo.

Em paralelo, previu o apoio dos EUA ao ingresso da Rússia na Organização Mundial do Comércio (OMC) e o compromisso da Rússia de votar em favor das sanções contra Teerã no Conselho de Segurança da ONU. Moscou ainda permitiu o transporte de materiais e armamentos americanos, por território russo, para as tropas dos EUA no Afeganistão.

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