AP Photo/Pablo Martinez Monsivais
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Obama impõe pesadas sanções contra a Rússia em retaliação a ciberataques

Punições anunciadas pelo presidente são a mais forte resposta já dada pela Casa Branca a um ataque cibernético apoiado por um governo estrangeiro contra os EUA; Moscou nega interferência nas eleições americanas e promete responder

O Estado de S. Paulo

29 Dezembro 2016 | 21h03

WASHINGTON - O presidente americano, Barack Obama, anunciou nesta quinta-feira, 29, uma série de medidas contra a Rússia por sua suposta interferência na eleição presidencial dos EUA, incluindo a expulsão de 35 diplomatas e o fechamento de instalações russas no país. Obama também assinou uma ordem executiva que puniu 11 pessoas, organismos e empresas vinculadas aos ciberataques ocorridos durante a campanha presidencial.

Segundo um comunicado do Departamento de Estado americana, as sanções são uma resposta à “sabotagem de processos e instituições eleitorais”. Os 35 agentes de inteligência russos a serem expulsos pertencem à Embaixada da Rússia em Washington e ao consulado em San Francisco. Os funcionários e suas famílias receberam um prazo para deixar o país até sábado, segundo o Departamento de Estado. 

O jornal New York Times afirmou que, após o anúncio das medidas, o governo divulgará as provas que ligam os ciberataques ao sistema de computadores usado pela inteligência russa. As punições anunciadas, de acordo com o jornal, são a mais forte resposta já dada pelos americanos a um ataque cibernético apoiado por um governo contra os EUA. 

“Ordenei um número de ações em resposta ao agressivo assédio do governo russo sobre funcionários americanos e operações cibernéticas contra a eleição americana”, afirmou Obama, segundo um comunicado da Casa Branca, no qual também prometeu outras ações para o futuro. 

Em primeiro lugar, os EUA sancionaram o Departamento Central de Inteligência russo (serviço militar de inteligência, GRU) e o Serviço Federal de Segurança (FSB). Entre as pessoas sancionadas com o congelamento de seus bens e proibição de viagem aos EUA estão Vladimir Stepanovich Alexseyev, Serguei Gizunov, Igor Kostyukov e Igor Korobov, que ocupam cargos diretivos no serviço de espionagem militar russo.

Também foram sancionados Aleksei Alekseyevich Belan (com passaporte lituano) e Evgeniy Mikhaylovich Bogachev, dois indivíduos que não aparecem vinculados diretamente aos organismos de inteligência, mas que Washington acusa de apropriação indevida de fundos e de dados pessoais por meio de ataques cibernéticos.

Os EUA também impuseram sanções contra três empresas russas dedicadas à segurança cibernética que são acusadas de fornecer as ferramentas ao GRU e ao FSB para os ataques. Além das sanções e das expulsões, o governo americano determinou o fechamento de dois complexos russos em Maryland e Nova York. 

Um porta-voz do Kremlin informou que as sanções “destruirão as relações diplomáticas” e a retaliação da Rússia seria “adequada”. Um político russo ligado ao governo, Vladimir Jabbarov, afirmou que Moscou expulsará diplomatas americanos em reciprocidade. 

As sanções também pressionam o presidente eleito Donald Trump. O republicano afirmou durante a campanha que Moscou não tinha nada a ver com o ataque a membros do Partido Democrata, que expuseram e-mails particulares e constrangeram a campanha de Hillary Clinton. Trump chegou a afirmar que as agências de inteligência americanas não eram de confiança. 

Agora, após tomar posse no dia 20, Trump terá de decidir se levanta as sanções contra as agências de inteligência russas e reverte as medidas de Obama ou se mantém o prognóstico das agências americanas, como a CIA, que acusam o envolvimento russo. 

Ao mesmo tempo, no Congresso americano, dominado por republicanos, crescem os pedidos para uma investigação sobre o caso. Dois importantes nomes republicanos, os senadores John McCain e Lindsey Graham, disseram que as sanções foram um “preço baixo para a Rússia pagar por atacar a a democracia americana”. / NYT, REUTERS, AFP e EFE 

 

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