Jason Reed/Reuters
Jason Reed/Reuters

Obama inicia ''caravana eleitoral'' com duras críticas a radicais republicanos

Em cidadezinha em Minnesota, democrata diz que a crise dos EUA ''não é financeira, mas política''

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

16 de agosto de 2011 | 00h00

ENVIADA ESPECIAL, CANNON FALLS, EUA - Em um parque rodeado de milharais em Minnesota, o presidente dos EUA e candidato democrata à reeleição, Barack Obama, afiou ontem seu discurso contra o radicalismo dos republicanos no Congresso. Foi o início de sua caravana eleitoral de ônibus pelo Meio-Oeste americano.

 

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Diante de uma plateia de 400 moradores de Cannon Falls e de cidades vizinhas, Obama reiterou que os EUA não estão atolados em uma crise econômica, "mas em uma crise política". O presidente-candidato também exortou a audiência a manter pressão sobre os parlamentares para aprovar os projetos econômicos da Casa Branca em setembro, ao final do recesso de cinco semanas.

 

"Não há nada na América que precise ser consertado. O que está errado é a política", afirmou Obama, com cuidado para convencer a plateia sem demonstrar fúria contra a atitude dos republicanos na negociação do recente acordo fiscal. "Essa não é uma crise financeira. É uma crise política. A chave não é fazer mais cortes nos programas para os pobres e os idosos, mas ter um plano sustentável de estabilidade fiscal."

Ontem foi o primeiro contato direto de Obama com o público - a maioria quase absoluta de democratas -, depois de ter sancionado o acordo de medidas fiscais e de ter visto os EUA perder sua nota máxima de avaliação de risco de crédito pela primeira vez em sua história.

"Por que Cannon Falls?", perguntou-lhe uma garota de 10 anos. "Porque me disseram que eu encontraria aqui as crianças mais inteligentes da região", escapou Obama.

Nesse trajeto de ônibus por cinco cidades de três Estados, Obama promete dialogar com pequenos grupos locais sobre o fraco crescimento da economia (1,3% no segundo trimestre) e a criação de trabalho (a taxa de desemprego alcançou 9,1% em julho). As famílias de Cannon Falls mostraram-se dispostas a apoiar sua agenda contrária a cortes de gastos sociais, apesar da frustração com as concessões políticas de Obama à oposição.

Um único embaraço surgiu quando ele foi questionado sobre a liberação do uso da maconha com fins medicinais. "Muitos Estados já liberaram, em oposição a... bem....", esquivou-se.

Tietagem. A maioria dos moradores sofreu para ver o presidente. Deborah Wood, agricultora e fã de Obama, e o estudante Adam Behnsen, de 12 anos, esperaram mais de 9 horas na fila para conseguir os ingressos para suas famílias. O engenheiro Jay Behnsen, pai do garoto Adam, mostrou-se frustrado com a ausência de parceria entre republicanos e democratas nas discussões sobre o plano fiscal e sobre como criar empregos. Behnsen trabalha com vendas de ar condicionado para edifícios comerciais - setor estagnado desde 2008. Não se considera democrata de carteirinha, mas votou em Obama em 2008 e vai repetir o gesto em 2012.

A agricultora Deborah também acredita nas boas intenções do presidente. Ao seu lado estava sua irmã Dawn, administradora de uma fazenda de milho e republicana convicta, para quem o governo de Obama precisa reduzir o "controle" sobre o agronegócio. Dawn não votará em Obama. Mas queria ouvir o presidente em sua primeira - e talvez última - visita a Cannon Falls.

"Sendo cristã, não tenho problemas com os muçulmanos. Mas, como se trata de um presidente, eu me preocupo", afirmou, ao engrossar a lista de americanos que duvidam da fé cristã de Obama.

Californiana radicada em Minnesota desde 2005 por causa dos preços mais acessíveis das casas, Isabel Castillo criticou Obama por não demonstrar maior controle sobre o governo e se deixar levar pelas barganhas com os republicanos. Ela foi ao parque acompanhada da mãe, Rosa Villa - que chegou à fila às 3 horas de domingo - e dos filhos Luis Angel e David. "Eu não esperava que Obama resolvesse todos os problemas em tão pouco tempo. Mas ele tem de mostrar controle sobre as coisas."

 

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