Obama inicia maratona pelos EUA após discurso

Depois de tradicional fala sobre o Estado da União, presidente começa roteiro pelos Estados de Maryland, Pensilvânia, Wisconsin e Tennessee

AP, O Estado de S.Paulo

30 de janeiro de 2014 | 02h10

WASHINGTON - O presidente Barack Obama visitou ontem quatro cidades com o objetivo de reiterar a mensagem do seu discurso anual sobre o Estado da União, no qual pôs ênfase na agenda social e prometeu usar poderes executivos para contornar obstáculos no Congresso este ano.

O presidente reiterou sua preocupação com o enorme hiato existente entre os americanos mais ricos e os cidadãos comuns, que se agravou com o colapso da economia que foi evitado por pouco em 2008.

"Tratar bem os trabalhadores não é apenas correto, é um investimento", disse Obama em sua primeira parada, no Estado de Maryland, onde discursou em um shopping center. Em seguida, ele foi para a Pensilvânia, onde visitou uma siderúrgica. Desta vez, sua fala centrou-se no direito à aposentadoria.

O périplo do democrata continua hoje. Obama passará pelos Estados de Wisconsin e Tennessee e, novamente, conversará com trabalhadores e pessoas de classe média.

No discurso do Estado da União - tradicionalmente o mais importante do ano -, Obama tratou também de preparar o clima para as eleições parlamentares de meio de mandato. A disputa pelo Legislativo ocorrerá em meio à queda da aprovação do governo, apesar da persistente melhora da economia. Ele se mostrou particularmente preocupado com a persistência de um elevado desemprego.

"Os EUA não ficarão parados, nem eu pretendo ficar", afirmou no discurso transmitido em cadeia nacional. "Portanto, poderei tomar qualquer medida sempre que considerar necessário sem precisar da aprovação do Congresso para aumentar as oportunidades para um número cada vez maior de famílias americanas. É o que entendo fazer".

Os republicanos, especialmente na Câmara dos Deputados, têm conseguido criar obstáculos à maior parte da agenda legislativa do presidente desde que retomaram a Câmara, em 2010. Seu líder, o presidente John Boehner, logo procurou minimizar os planos de Obama de uma forte ação do Executivo.

"O presidente precisa entender que seus poderes são limitados por nossa Constituição, e a autoridade que ele tem não representa muito para os que não têm oportunidades na nossa economia", afirmou.

Travas da lei. Obama admite que se depara com limites constitucionais para agir sem o Congresso, mas entende que ainda enfrenta uma parede oposicionista republicana. Não obstante, ele reiterou seus apelos para um avanço em sua agenda legislativa que visa a criação de empregos, a reforma das leis de imigração, o combate à mudança climática e outros temas. Na ausência de acordo com os republicanos, Obama declarou que recorrerá aos decretos sempre que puder.

No Capitólio, do presidente da Câmara Boehner para baixo, havia poucas evidências de que seus integrantes pretendessem atender ao pedido de Obama.

"Cresce continuamente o número de pessoas que se consideram prejudicadas porque, neste momento, a política do presidente está tornando a vida dos cidadãos cada vez mais dura", afirmou a deputada Cathy McMorris Rodgers, na resposta oficial dos republicanos.

O pronunciamento feito ao Congresso, uma tradição iniciada pelo presidente George Washington, obedeceu à tradicional coreografia política. A juíza da Suprema Corte, Ruth Bader Ginsburg, abriu os braços para dar um forte abraço ao sorridente Obama enquanto ele se dirigia ao pódio onde daria início ao sexto ano de sua presidência com firmeza e energia.

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