Stephen Crowley/The New York Times
Stephen Crowley/The New York Times

Obama inicia último ano de mandato com ações para limitar venda de armas

Em reunião com secretária de Justiça, na segunda-feira, presidente analisará opções para conter violência nos EUA; entre as opções, segundo imprensa americana, estaria a assinatura de decretos para driblar a oposição republicana no Congresso

O Estado de S. Paulo

02 Janeiro 2016 | 03h00

WASHINGTON - Em busca de um legado, Barack Obama, iniciou seu último ano à frente da presidência dos EUA com um claro objetivo: restringir a venda de armas no país. Na sexta-feira 1.º, ele disse que se reunirá com a secretária de Justiça, Loretta Lynch, na segunda-feira, para debater maneiras de reduzir a violência. Segundo a rede CNN, Obama usará decretos executivos para driblar o Congresso. 

Entre as medidas, segundo a CNN, estariam a ampliação dos mecanismos de verificação de antecedentes e histórico mental dos compradores, além de mais dinheiro para agências federais que fiscalizam o cumprimento das leis já existentes. De acordo com fontes da Casa Branca, no entanto, algumas circunstâncias não previstas “ainda podem adiar um anúncio oficial” das ações. 

“Minha resolução de ano novo é avançar em assuntos inacabados”, disse Obama em mensagem de vídeo postada sexta-feira na internet. “Um assunto, em especial, é a epidemia de violência por armas de fogo.”

“Poucos meses atrás, pedi a minha equipe na Casa Branca que analisasse qualquer nova ação que eu possa tomar para reduzir a violência com armas”, disse Obama. “E, na segunda-feira, vou me encontrar com Loretta Lynch para discutir nossas opções.”

O jornal Washington Post, citando várias pessoas com conhecimento do assunto, afirmou que Obama e Lynch deverão “finalizar um conjunto de decretos sobre restrição à venda de armas de fogo que ele apresentará na próxima semana”.

Oficialmente, o único comentário da Casa Branca na sexta-feira foi dado pelo porta-voz do governo, Eric Schultz. Ele disse que o presidente tem “urgência” em dar “por conta própria” novos passos para conter a violência cometida por armas de fogo nos EUA.

Frustrado com a falta de ação do Congresso, Obama tem usado frequentemente decretos executivos para legislar sobre alguns temas, especialmente imigração, evitando o impasse com a oposição republicana no Congresso. Na sexta, em seu pronunciamento, ele prometeu usar “qualquer poder que o gabinete presidencial tenha” para adotar medidas de controle de venda de armas. “Tenho recebido cartas demais de pais, professores e crianças para ficar sentado sem fazer nada”, disse o presidente, que está passando o recesso de fim de ano com a família no Havaí. 

Os EUA têm um histórico marcante de assassinatos em massa. Um estudo do FBI mostra que, de 2000 a 2013, houve 160 incidentes do tipo nos quais morreram 486 pessoas e 557 ficaram feridas. Desses, 40% foram assassinatos com armas de fogo. 

Entre os casos mais famosos estão os massacres de Columbine, em 1999, que deixou 15 mortos, de Virginia Tech, em 2007, com 33 mortos – até hoje o que teve mais vítimas na história dos EUA – e da escola Sandy Hook, em Newtown, Connecticut, em 2012, onde morreram 28 pessoas, a maioria crianças. 

O relatório anual do Bureau de Álcool, Tabaco e Armas de Fogo mostra, no entanto, que os esforços de Obama para fazer avançar qualquer tipo de lei restritiva à venda de armas, até agora, tiveram efeito contrário. A produção de armas durante seu governo – entre 2008 e 2013 – cresceu 140%. Segundo o Congresso americano, existem nos EUA cerca de 300 milhões de armas – uma média de uma por habitante. / REUTERS, NYT e AP

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.