EFE/NED REDWAY
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Obama já prepara sua entrada na campanha

Presidente aguarda definição das primárias democratas para apoiar Hillary oficialmente

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington, O Estado de S. Paulo

05 Junho 2016 | 05h00

WASHINGTON - Com popularidade em alta e de olho na manutenção de seu legado, Barack Obama se prepara para arregaçar as mangas e se transformar no mais poderoso cabo eleitoral de sua ex-secretária de Estado na disputa pela presidência dos EUA. Mesmo que perca a primária na Califórnia, na terça-feira, Hillary Clinton conquistará o número de delegados para garantir sua candidatura à Casa Branca.

A dúvida é se Bernie Sanders continuará na disputa até a convenção de julho ou abandonará a corrida antes disso, hipótese que é considerada mais provável por analistas. A aprovação de Obama está em 52%, o mais elevado índice desde dezembro de 2012, logo após sua reeleição.

A economia continua crescendo, enquanto o desemprego caiu a patamar inferior a 5%. O índice chegou a 10,2% no primeiro ano de governo democrata, sob impacto da crise financeira de 2008. E popularidade e prosperidade são os dois fatores que definem o grau de influência de presidentes em eleições.

Alan Abramowitz, da Universidade Emory, de Atlanta, idealizou um dos mais respeitados modelos de previsão de resultados de eleições dos EUA, no qual as variáveis são aprovação do presidente, situação da economia e grau de polarização política do país.

“Se a economia estiver em uma situação razoável e a aprovação de Obama acima de 50%, isso beneficiará Clinton”, disse Abramowitz ao Estado. Segundo ele, a eleição será um referendo sobre o governo, no qual os eleitores terão de decidir se querem continuidade ou mudança. Em sua opinião, as chances da democrata crescem ainda mais pelo caráter inusitado de seu rival, o bilionário republicano Donald Trump. “A questão para os que querem mudança é se eles querem a mudança que Trump trará”, observou.

Na mão contrária, a ex-secretária de Estado enfrentará o que Christopher Wlezien, da Universidade do Texas em Austin, chama de “o custo de governar”. Partidos que permanecem por dois mandatos na Casa Branca enfrentam mais dificuldades para conquistar um terceiro. 

No entanto, a popularidade de Obama, mesmo que não seja decisiva, dará impulso às chances de Hillary. Wlezien e seu colega da Universidade de Columbia, Robert Erikson, analisaram as últimas 16 eleições e concluíram que um índice de aprovação superior a 48% é um bom indicador das chances de o ocupante da Casa Branca se reeleger ou fazer o seu sucessor.

Nas seis disputas em que o presidente com esse grau de aprovação apoiou outro candidato, o escolhido ganhou o voto popular em cinco delas. A única exceção foi Richard Nixon, em 1960. Entre os cinco casos de sucesso, está o do democrata Al Gore, que liderou em número de votos na disputa com George W. Bush, em 2000, mas perdeu no Colégio Eleitoral.

Apesar dos eleitores irados que apoiam Trump, Wlezien não está convencido de que os americanos estejam insatisfeitos. “Uma aprovação de 52% do presidente não parece ser um grande clamor por mudança.”

Com a indefinição dentro de seu partido, Obama ainda não faz campanha aberta para Hillary, mas já iniciou os ataques a Trump. Sem mencionar o nome do bilionário, o presidente criticou suas propostas em discurso sobre economia que realizou na quarta-feira em Indiana.

“Deportar 11 milhões de imigrantes não é apenas uma fantasia que custaria bilhões em recursos dos contribuintes e destruiria famílias. Do ponto de vista logístico, seria impossível”, disse Obama.

O democrata ressaltou que as propostas dos opositores aumentarão a desigualdade, reduzirão impostos sobre os mais ricos, acabarão com regulações sobre empresas e ameaçarão a rede de proteção social dos mais vulneráveis. “Quando escuto famílias de trabalhadores pensando em votar por esses planos, eu quero intervir.”

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