Obama lança ofensiva nacional para evitar perder disputa por arrecadação

Luta pela Casa Branca. Rival republicano Mitt Romney está com os cofres cada vez mais cheios por causa da frustração com o democrata em Wall Street; presidente vê-se obrigado a passar mais tempo fora de Washington para tentar embalar sua campanha

DENISE CHRISPIM MARIN , CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2012 | 03h08

O presidente dos EUA, Barack Obama, tem se afastado cada vez mais de Washington para assumir a condição de candidato. Desde abril de 2011, quando se lançou à reeleição, participou de 153 eventos de arrecadação de fundos para sua campanha. No mês passado, conduziu 15 eventos em 12 diferentes locais do país. Nos primeiros 8 dias de junho, ele se superou ao discursar em 14 reuniões com a mesma finalidade em 6 cidades.

A ansiedade em correr o país em busca de recursos tem uma razão prática: o custo estimado para a eleição de um presidente, nos Estados Unidos, é de US$ 1 bilhão. Outro motivo está no fato de seu opositor republicano, Mitt Romney, ter tido melhor desempenho nesse campo, favorecido especialmente pelo rancor do setor financeiro com as medidas de regulação adotadas pelo governo Obama.

No fim de semana passado, Obama completou seu 24o.º final de semana dedicado à coleta de fundos. Nesta semana, seguirá uma agenda em Baltimore, Filadélfia, Nova York e Cleveland. Segundo estimativas extraoficiais, o custo da hora voada pelo Air Force 1, o avião presidencial, é de US$ 200 mil.

A maior parte dos programas de Obama fora de Washington tem como razão um compromisso oficial - em geral, igualmente benéfico para sua reeleição. Mas o tempo no local tende a ser aproveitado também com os eventos explícitos de arrecadação.

Com a agenda eleitoral cada vez mais lotada, Obama tende a passar menos tempo em Washington a partir deste mês e a limar compromissos no exterior. O último programado será a cúpula do G-20 em Los Cabos, no México, entre os dias 20 e 22 de junho. Essa reunião, entretanto, está diretamente vinculada aos seus interesses eleitorais. Ao minar o desempenho da economia americana, a crise europeia tenderá a prejudicar a reeleição de Obama (mais informações nesta página).

Ajuda. Obama, entretanto, não está sozinho no esforço arrecadador. O vice-presidente dos EUA, Joe Biden, visitou 11 cidades americanas em junho, em sua maioria para eventos claramente eleitorais.

Na primeira semana de junho, esteve em outras três. Popular por sua presença forte e por sua influência sobre Obama, a primeira-dama, Michelle, tem igualmente viajado pelo país em busca de fundos e voluntários para a campanha de seu marido.

Em maio, viajou para Cleveland, Dallas e Las Vegas. Na quinta-feira, fez corpo a corpo com veteranos de guerra e outros eleitores de Dale City, na Virgínia, e passou pela famosa doceria Mom's Apple Pie, na vizinha cidade de Occoquan. Michelle conduz no governo americano pelo menos dois programas sociais, um deles contra a obesidade infantil e outro de apoio às famílias dos militares. A médica Jill Biden, mulher do vice-presidente americano, tem se mostrado igualmente ativa nas áreas social e eleitoral.

Mesmo com os esforços de maio, a campanha de Obama arrecadou US$ 60 milhões, segundo o Comitê Nacional Democrático. A média de doação - um total de 572 mil pessoas - foi de US$ 54,94, algo em torno de R$ 110. Além dos eventos, a campanha de Obama obsessivamente envia e-mails com pedidos de doação mínima de US$ 3 a US$ 5 e rifas de jantares com Obama e personalidades e se vale de celebridades para atrair o apoio financeiro, como os atores americanos George Clooney e Sarah Jessica Parker. Romney, pouco popular entre os famosos, conseguiu coletar US$ 76,8 milhões em maio - uma média de US$ 200 ou R$ 400 por doador - e fechou o mês com um caixa de US$ 107 milhões disponíveis.

A campanha de Obama não divulgou o saldo do mês.

Essas cifras não incluem as volumosas doações de milionários e grandes empresas aos chamados Super-PAC.

Tratam-se de companhias criadas para apoiar as campanhas dos candidatos em especial com a divulgação de publicidade adicional. Na semana passada, o magnata dos cassinos de Las Vegas, Sheldon Adelson, anunciou estar pronto para doar US$ 1 milhão para o Super-PAC de Romney, o Restaurar o Nosso Futuro. Será apenas a primeira rodada, informou ele.

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