Obama lança ofensiva por fundos de campanha

Disputa contra Romney por dinheiro toma mais espaço na agenda do presidente; economia é maior ameaça à reeleição

DENISE CHRISPIM MARIN , CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2012 | 03h03

O presidente Barack Obama tem se afastado cada vez mais de Washington para assumir a condição de candidato. Desde abril de 2011, quando se lançou à reeleição, participou de 153 eventos de arrecadação para sua campanha.

A ansiedade em correr os EUA em busca de recursos tem uma razão prática: uma campanha presidencial americana custa cerca de US$ 1 bilhão e seu opositor, o republicano Mitt Romney, tem sido favorecido pelo rancor do setor financeiro com as medidas de regulação adotadas pelo governo Obama.

No fim de semana passado, Obama completou seu 24o.º final de semana dedicado à coleta de fundos. Nesta semana, seguirá uma agenda em Baltimore, Filadélfia, Nova York e Cleveland. A maior parte dos programas de Obama fora de Washington tem como razão um compromisso oficial - em geral, igualmente benéfico para sua reeleição. Mas o tempo no local tende a ser aproveitado também com os eventos explícitos de arrecadação.

Com a agenda eleitoral cada vez mais lotada, Obama tende a passar menos tempo em Washington a partir deste mês e a limar compromissos no exterior. O último programado será a cúpula do G-20 em Los Cabos, no México, entre os dias 20 e 22.

A reunião das 20 maiores economias, entretanto, está diretamente vinculada aos interesses eleitorais de Obama. O aprofundamento da crise europeia terá consequências diretas sobre os EUA - e sobre as chances de Obama vencer em novembro.

Alerta. Com os cálculos eleitorais ainda favoráveis à sua reeleição, Obama enfrenta um único fator capaz de derrotá-lo em novembro: a economia. Os sinais de redução do ritmo do crescimento, percebidos desde janeiro, tornaram-se mais fortes em maio, quando a taxa de desemprego voltou a subir, para 8,2%.

A crise na Europa e a omissão do Congresso americano diante dos pacotes de estímulo à economia da Casa Branca elevam o risco de recessão nos EUA - a segunda em menos de três anos.

Obama surpreendeu na sexta-feira ao convocar a imprensa e pressionar europeus a relaxar o ajuste fiscal de curto prazo, permitindo a retomada do crescimento. Também cobrou a omissão do Congresso, dominado desde 2011 pelos republicanos.

No primeiro trimestre de 2012, a economia americana cresceu 1,9%. Trata-se de um porcentual ligeiramente menor do que os 2% previstos para os EUA neste ano pelo FMI, segundo documento divulgado em abril. Mas a cifra está aquém da expansão de 3,0% registrada no último trimestre de 2011.

A frustração com a geração de empregos em abril e em maio, entretanto, indicou a expansão cada vez mais lenta da economia do país. No mês passado, em vez dos 150 mil novos postos de trabalho esperados, apenas 69 mil foram abertos.

Para contornar a decepção do mercado com esses números e desestimular decisões ainda mais cautelosas dos empregadores, Obama e seus colaboradores insistem ter o país gerado 4,3 milhões de empregos nos últimos 27 meses, depois da perda de 8 milhões de postos por causa da depressão.

O setor privado, segundo o presidente, está "indo bem". Mas Estados e municípios estão em situação difícil. "Ele não está realmente fora de sintonia?", reagiu seu opositor Mitt Romney.

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