Obama lança ultimato a Kadafi

Presidente dos EUA afirma que 'resolução será imposta pela força' caso ditador siga com ofensiva

estadão.com.br

18 de março de 2011 | 15h29

Atualizado às 17h41

 

"Termos são inegociáveis", segundo Obama.

 

WASHINGTON - O presidente dos EUA, Barack Obama, deu um ultimato ao ditador da Líbia, Muamar Kadafi, para que encerrar a ofensiva militar contra rebeldes que lutam contra o governo de Trípoli. Em discurso na televisão, o americano afirmou que se o coronel líbio não cumprir os termos apresentados pela resolução aprovada pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), a medida seria imposta à força.

 

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Obama exigiu que o cessar-fogo anunciado pelo governo líbio hoje seja completo e imediato. Todos os ataques contra os opositores devem acabar. Kadafi deve retirar Benghazi, Misrata, Ajdabiya, Az-Zawyia e o restabelecimento do fornecimento de gás, e petróleo em todas as áreas do país. "Esses termos não são negociáveis. Se Kadafi não respeitar a resolução, aplicaremos seus termos por meio de uma intervenção militar", disse o presidente americano.

 

 

Antes de apresentar seus termos, Obama afirmou que o mundo fez um claro alerta a Kadafi ao pedir o fim da violência na Líbia e ao impor sanções econômicas contra o ditador. "Kadafi perdeu a legitimidade para liderar e a confiança de seu país. Ele escolheu o caminho da repressão brutal", disse o presidente americano.

 

"Em face disso, os EUA e seus aliados trabalharam para uma resposta na ONU", disse o presidente referindo-se à resolução aprovada na quinta. "Mais uma vez, ele ignorou a vontade do povo e a comunidade internacional. Ele mesmo deixou suas intenções bem claras. e não mostrou piedade com seu povo. Temos toda as razões para acreditar que ele continuaria o massacre", continuou.

 

Obama deixou bem claro que os EUA descartam a possibilidade de envolver tropas terrestres à Líbia. Além disso, ele disse também que sua secretária de Estado, Hillary Clinton, participará de uma cúpula de nações ocidentais e árabes em Paris, no sábado, durante a qual serão discutidas as ações militares contra Kadafi.

 

No fim do discurso, Obama voltou a dizer que "a mudança na região não pode ser imposta pelos EUA. Será implementada pela vontade do povo árabe". Essa frase tem sido repetida pelo presidente americano desde o início das revoltas no mundo árabe.

 

Coalizão

 

Em comunicado conjunto, França, EUA, Reino Unido e países árabes exigiram que Kadafi impeça o avanço de suas tropas e volte a fornecer água e energia elétrica às cidades que tiveram o fornecimento interrompido. Divulgada pelo gabinete do presidente francês, Nicolas Sarkozy, em nome das partes envolvidas, a nota pede também que as forças líbias interrompam o avanço em direção a Benghazi e se retirem de Misrata, Zawiyah e Ajdabiya - as mesmas condições apresentadas por Obama.

 

A resolução aprovada pelo Conselho de Segurança na quinta prevê a instalação de uma zona de exclusão aérea (no-fly zone, em inglês) sobre a Líbia e "o uso de todos os meios necessários para proteger os civis líbios", mas não autoriza o envio de tropas para o país africano. O governo anunciou um cessar fogo nesta sexta, mas ainda há relatos de batalhas entre os insurgentes e as tropas do ditador.

 

A rebelião na Líbia começou a pouco mais de um mês. Os rebeldes lutam para derrubar Kadafi, que está no poder há 41 anos, e acusam o ditador de massacrá-los com bombardeios. O número de mortes por conta da violência é desconhecido, mas mais de 300 mil pessoas já deixaram o país desde o início da guerra civil.

 

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