Obama leva hispânica à Suprema Corte

Sonia Sotomayor cresceu no Bronx e é a 3.ª mulher na história do tribunal

Patrícia Campos Mello, WASHINGTON, O Estadao de S.Paulo

27 de maio de 2009 | 00h00

O presidente Barack Obama indicou ontem a primeira juíza hispânica para a Suprema Corte. Sonia Sotomayor, de 54 anos, que é juíza no Tribunal de Apelações do Segundo Circuito, é a terceira mulher na história da corte. Sonia "é uma mulher inspiradora, que será uma grande juíza", disse Obama, ao lado da indicada. "Ela enfrentou barreiras, superou dificuldades e viveu o sonho americano" e "tem um entendimento prático sobre como a lei afeta o dia a dia do povo americano". Filha de porto-riquenhos, Sonia cresceu em um conjunto habitacional para pobres, no Bronx.Obama quis também enfatizar a capacidade intelectual de Sonia e sua experiência nos tribunais, uma vez que alguns críticos questionaram as credenciais intelectuais da juíza. "Ela tem um intelecto rigoroso e amplo domínio da lei", afirmou. O presidente disse esperar que o Senado confirme Sonia antes do recesso de verão, no fim de julho, para que ela esteja no cargo no início do próximo ano judiciário, em outubro.Se Sonia for confirmada, ela ocupará a vaga de David Souter, juiz que anunciou sua aposentadoria no início de maio. Souter também era tido como um liberal, então a escolha de Sonia não mudará o equilíbrio da corte - quatro liberais, quatro conservadores, e um moderado. Mas Sonia é jovem e deve garantir a presença liberal por muitos anos, e seu estilo enérgico pode ajudar a persuadir mais o moderado da corte, o juiz Anthony Kennedy, que costuma ser o voto de minerva das decisões. A corte pode influenciar em questões como casamento gay, poder do Executivo, políticas antiterrorismo, direito ao aborto e porte de armas. Como a secretaria de Segurança Nacional, Janet Napolitano, Sonia é uma workaholic "sem vida fora do trabalho". Foi casada por pouco tempo durante a faculdade, divorciou-se, e não tem filhos."Meu coração está explodindo de gratidão a todos vocês", disse Sonia a sua família, presente no anúncio. Ela agradeceu especialmente à mãe. "Sou tudo que sou por causa dela, e sou apenas metade da mulher que ela é."A escolha foi festejada por ativistas hispânicos, liberais e políticos democratas. Mas a indicação foi recebida com reservas por republicanos. Sonia é considerada uma moderada, apesar de algumas de suas declarações causarem apreensão nos republicanos por sugerir que ela poderá levar em conta sua história pessoal ao tomar decisões na corte. Em uma palestra em 2002, ela disse: "Espero que uma mulher latina sábia, com a riqueza de suas experiências, chegue a conclusões melhores do que um homem que não teve essa vida." O comentarista conservador Rush Limbaugh chamou Sonia de "racista reversa" por causa da declaração."A juíza é uma ativista liberal e pensa que sua agenda política pessoal é mais importante que a lei como foi escrita", disse Wendy E. Long, advogada do conservador Judicial Confirmation Network. "Ela acha que juízes devem ditar políticas e o sexo, a raça e a etnia de cada juiz devem afetar as decisões."Os democratas detêm ampla maioria no Comitê Judiciário do Senado, onde ela precisa ser confirmada primeiro. Um bloqueio republicano pode ser superado por 60 votos democratas.EQUILÍBRIOAntonin ScaliaMuito conservador Clarence ThomasMuito conservadorSamuel AlitoConservadorJohn RobertsPresidente do Supremo, conservadorAnthony KennedyModeradoStephen BreyerLiberalDavid SouterLiberalRuth Bader GinsburgLiberalSonia SotomayorLiberal. Se Congresso aprová-la, vai substituir o também liberal John Paul Stevens

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