AP Photo/Pablo Martinez Monsivais
AP Photo/Pablo Martinez Monsivais

Obama liberta mais 4 detentos de Guantánamo

Presidente critica o Congresso por ter impedido o fechamento da prisão, uma promessa de seu primeiro mandato

O Estado de S.Paulo

19 Janeiro 2017 | 23h49

WASHINGTON - O longo esforço do governo de Barack Obama para fechar a prisão na Base de Guantánamo, em Cuba, terminou nesta quinta-feira com o anúncio da transferência de mais quatro presos. Eles devem deixar o controvertido presídio um pouco antes de Obama deixar a presidência nesta sexta-feira.

A transferência desse quatro detentos sgnifica que Donald Trump terá de lidar com o futuro dos 41 homens que permanecem lá, 31 deles sem nenhuma acusação formal ou julgamento. Oito anos atrás, quando Obama assumiu o poder e prometeu fechar a prisão que herdou do governo de George W. Bush, havia 242 detentos.

Segundo o porta-voz do Pentágono, o russo Ravil Mingazov, o afegão Haji Wali Mohamed e o iemenita Yasim Qasim Mohamed Ismail Qasim serão enviados aos Emirados Árabes Unidos e o saudita Jabran al Qahtani será enviado para a Arábia Saudita. Os quatro chegaram a Guantánamo em 2002 como suspeitos de terrorismo e sua libertação foi aprovada no ano passado. 

Durante os dois mandatos de Obama, o governo americano conseguiu transferir a terceitos países 198 detentos, a maioria deles com condições de serem soltos por não haver provas substanciais contra eles e não representarem uma ameaça. 

Em uma carta enviada ao Congresso, Obama reiterou seus argumentos para o fechamento da prisão ­- um símbolo caro e prejudicial que alimenta o antiamericanismo - e queixou-se do fato de que as restrições impostas pelos congressistas o impediram de levar seu plano adiante. 

 Na carta encaminhada ao orador da Câmara dos Representantes, Paul Ryan, e ao líder da maioria no Senado, Mitch McConnell, Obama disse que a restrição que os legisladores impuseram na transferência de detentos de Guantánamo para presídios de segurança máxima nos Estados Unidos "não faz sentido".

Ele também discorreu sobre seu sucessor, Donald Trump, dizendo que "a história vai lançar um duro julgamento nesse aspecto da nossa luta contra o terrorismo e aqueles entre nós que falharam em trazer isso a um final responsável".

Parte do argumento de Obama é fiscal. A instalação custa mais de US$ 400 milhões por ano para operar - ele observou -, enquanto a transferência dos detentos remanescentes que não são elegíveis para transferência para outros países poderia resultar na economia anual de cerca de US$ 85 milhões.

Entre os 41 detentos que permanecerão na prisão, 5 são elegíveis para transferência, 10 estão envolvidos em procedimentos de comissões militares e 26 estão servindo uma sentença de comissão militar ou foram considerados muito perigosos para a transferência. / EFE e NYT

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.