Obama marca discurso para se explicar sobre pastor

O pré-candidatodemocrata à Presidência dos EUA Barack Obama fará naterça-feira um discurso sobre temas raciais, com o qual tentaráabafar a polêmica em torno de declarações de um pastorreligioso ao qual foi ligado. Obama, que tenta se tornar o primeiro presidente negro dosEUA, disputa a indicação democrata para a eleição de novembrocontra a ex-primeira-dama Hillary Clinton, que quer ser aprimeira mulher presidente do país. A questão racial vem surgindo várias vezes na campanha nasúltimas semanas, e Obama diz que isso afasta a atenção dostemas realmente importantes. O discurso foi marcado para as 10h15 (hora local) em umprédio histórico em frente ao Sino da Liberdade, NA Filadélfia.Obama ficou até tarde escrevendo-o, no domingo, e um assessordisse que haverá um forte elemento pessoal. O senador deve comentar declarações do reverendo JeremiahWright, que foi pastor da igreja de Chicago que Obama frequentahá 20 anos. Em sermões muito citados na imprensa, Wright se referiu aosatentados de 11 de setembro de 2001 como atos de vingançacontra a política externa norte-americana, acusou o governo dosEUA de ser a fonte do vírus da Aids e fez ataques ao supostocaráter racista do país. Obama criticou essas declarações, e Wright abandonou afunção de conselheiro espiritual da campanha. Wright oficiou ocasamento de Obama com sua esposa e batizou as duas filhas docasal. O senador se refere ao pastor como "um velho tio". Em entrevista à emissora PBS, Obama disse que a polêmicasobre o pastor ameaça ofuscar sua mensagem de superação dasdivisões raciais. "Eu diria que isso tem sido uma distração da mensagemcentral da nossa campanha. Acho que parte do que tem sido aessência da minha política, não só desta campanha, mas da minhavida, é a idéia de que temos de unir as pessoas", disse Obama,que costuma destacar o fato de ser filho de uma mulher brancado Kansas com um negro do Quênia. As campanhas de Obama e de Hillary se acusam mutuamente deter colocado a questão racial na campanha eleitoral. Na semana passada, a ex-candidata a vice-presidenteGeraldine Ferraro, que apóia Hillary, disse que Obama sóconseguiu a liderança na disputa democrata porque é um homemnegro. Houve também quem se ofendesse por uma declaração doex-presidente Bill Clinton, marido de Hillary, que em janeirocomparou a vitória de Obama na eleição primária da Carolina doSul ao triunfo obtido em 1984 e 1988 por outro pré-candidatonegro, Jesse Jackson. Críticos viram nesses comentários umatentativa de marginalizar a candidatura de Obama,identificando-a apenas com o eleitorado negro. (Reportagem adicional de Jeff Mason)

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