Obama: míssil lançado de área controlada por rebeldes derrubou avião

Presidente americano afirmou que os equipamentos usados pelos separatistas podem ter sido fornecidos pela Rússia

Cláudia Trevisan, correspondente / Washington, O Estado de S. Paulo

18 de julho de 2014 | 14h26

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, falou nesta sexta-feira, 18, que o avião da Malaysia Airlines que caiu na Ucrânia foi derrubado por um míssil disparado da região controlada por separatistas pró-Rússia, possivelmente com o uso de equipamentos fornecidos pela Rússia.

"Um grupo de separatistas não pode derrubar um avião de transporte ou um jato de guerra sem equipamentos sofisticados e treinamento sofisticado, e isso está vindo da Rússia", declarou o presidente em pronunciamento na Casa Branca, se referindo a três aeronaves atingidas pelos separatistas antes da queda do avião de passageiros.

Obama afirmou que não se referia especificamente à queda do voo da Malasya Airlines e as circunstâncias exatas do que ocorreu ainda precisam ser definidas. Mas ressaltou que os separatistas só conseguem atuar como atuam em razão do apoio russo. "Vimos aumento da violência no leste da Ucrânia. Eles são fortemente armados e treinados. Isso não é um acidente. Isso acontece em razão do apoio da Rússia", afirmou. "Eles têm recebido um fluxo constante de apoio da Rússia, que inclui armas e treinamento, inclui armas pesadas e equipamento antiaéreo."

O porta-voz do Pentágono, John Kirby, falou que o míssil foi provavelmente lançado por um sistema conhecido como Buk. Segundo ele, o equipamento é bastante "sofisticado" e os separatistas não poderiam operá-lo sem algum grau de assistência dos russos.

A derrubada do voo MH17 com 298 pessoas a bordo é uma "tragédia global, que deve funcionar como uma alerta para a comunidade internacional de que o conflito na Ucrânia tem consequências que vão além das fronteiras do país", observou Obama. "Um avião asiático foi destruído nos céus da Europa cheio de cidadãos de vários países." Segundo o presidente americano, é necessário um cessar-fogo que permita o acesso de investigadores internacionais ao local do acidente e a recuperação dos corpos das vítimas.

Obama ofereceu ajuda do FBI e do National Transportation Safety Board (NTSB, que cuida da segurança aérea) para esclarecer o que ocorreu e disse que funcionários das instituições estão a caminho da Ucrânia.

Respondendo a pergunta de um jornalista, o presidente disse que não vê um papel militar para os Estados Unidos no conflito além do desempenhado até agora em parceria com os aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

Obama defendeu que a Rússia, os separatistas e o governo da Ucrânia negociem uma saída pacífica para o conflito. Enquanto isso não ocorrer, os Estados Unidos manterão as sanções econômicas contra Moscou, que foram ampliadas na véspera da queda do avião da Malaysia Airlines.

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