Obama monopoliza mídia na reta final

Democrata lança ofensiva de propaganda com programa especial de TV, série de entrevistas e comício na Flórida

AP E REUTERS, O Estadao de S.Paulo

30 de outubro de 2008 | 00h00

A campanha do democrata Barack Obama concentrou ontem suas apostas em uma nova ofensiva midiática para tentar consolidar sua liderança na corrida presidencial americana. Além do comercial de 30 minutos do candidato - que foi ao ar em rede nacional no horário nobre -, Obama ainda deu entrevistas para importantes programas de TV e participaria de um comício com o ex-presidente Bill Clinton na Flórida, Estado crucial para a votação de terça-feira.De olho nos indecisos a menos de uma semana da eleição, o democrata foi entrevistado na Carolina do Norte pela rede ABC. Mais tarde, Obama participou do programa The Daily Show, de Jon Stewart, direto da Flórida - no qual admitiu que, se eleito, seu gabinete seria composto também por republicanos.As entrevistas foram concedidas antes e depois do programa especial de campanha veiculado por três grandes redes nacionais - CBS, NBC e Fox. Cada uma delas recebeu cerca de US$ 1 milhão para divulgar a propaganda. A Univision, de língua espanhola; a Bet, que tem os negros como público-alvo; a MSNBC e a TV One também veicularam a propaganda.O anúncio, que teve a economia como tema principal, incluiu uma entrada ao vivo de Obama (mais informações nesta página) a partir da Flórida. Foi a primeira vez em 16 anos que um candidato presidencial comprou um espaço de 30 minutos no horário nobre para explicar suas propostas. "Queremos nos assegurar de que cada eleitor votará sabendo exatamente o que Obama fará para conseguir uma mudança fundamental como presidente", afirmou um porta-voz de campanha.A compra de espaço no horário nobre das maiores redes de TV dos EUA ressalta a discrepância financeira entre as campanhas de Obama e do republicano John McCain. Segundo dados da TNS Media, Obama gastou mais de US$ 205 milhões em anúncios na TV, enquanto McCain destinou US$ 119 milhões de sua verba para esse fim. A estratégia do democrata foi duramente criticada por McCain, que lançou ontem uma propaganda atacando a decisão de Obama de comprar espaço no horário nobre."Por trás de discursos luxuosos, grandes promessas e especiais de TV, está a verdade: com crises em casa e fora do país, Barack Obama não tem a experiência que a América precisa", afirma o spot. McCain também criticou Obama por seus anúncios terem atrasado um jogo do campeonato de beisebol.O senador republicano tem tentado também tachar Obama de "socialista", alegando que ele pretende "distribuir a reiqueza". "Minha proposta é para produzir riqueza", disse McCain. Respondendo aos ataques, Obama disse: "Até o fim da semana, ele (McCain) estará me acusando de ser um agente secreto comunista por eu ter dividido meus brinquedos no jardim da infância."CAMPANHA NA FLÓRIDANo fim da noite, Obama ainda participou de um comício com Clinton em Kissimmee, na Flórida. A cidade é de grande importância para a vitória no Estado e a presença do ex-presidente pode ajudar Obama a conquistar o voto dos brancos da classe operária que apoiaram Hillary Clinton nas primárias. Esse será o primeiro evento de campanha no qual Obama e Clinton apareceram juntos desde junho. McCain também está na Flórida, onde se reuniu com assessores para discutir segurança nacional. Ele também deveria participar na noite de ontem do programa Larry King Live, da CNN.

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