Obama montará equipe para região

Em entrevista, futuro presidente diz que formará grupo com ?os melhores? para alcançar paz no Oriente Médio

AFP, Washington, O Estadao de S.Paulo

12 de janeiro de 2009 | 00h00

Sob pressão dentro e fora dos EUA por causa da crise na Faixa de Gaza, o presidente eleito Barack Obama afirmou que formará uma equipe especial para avaliar o conflito palestino-israelense "como um todo", imediatamente após assumir o governo, no dia 20. A declaração foi feita ontem em entrevista à rede de TV ABC News. Obama, entretanto, não detalhou quem deverá formar o time responsável por sua política externa para a região."O que estou fazendo agora é organizar uma equipe para que, no dia 20, tenhamos as melhores pessoas se dedicando imediatamente ao processo de paz no Oriente Médio", disse o presidente eleito, após ser perguntado sobre sua posição em relação à crise em Gaza. A nova estratégia seria garantir que "tanto israelenses quanto palestinos possam alcançar seus objetivos". No entanto, Obama voltou a justificar sua discrição sobre o tema com o argumento de que, por enquanto, quem formula a política externa é apenas o presidente George W. Bush.O presidente eleito deu também sinais de que não pretende promover uma ruptura total na política americana para a região. "Se olharmos não apenas o governo Bush, mas também a administração (de Bill) Clinton, veremos linhas gerais de abordagem similar." Durante a campanha, Obama havia criticado os dois ex-presidentes pela demora em tratar o conflito. Nas negociações de paz, os EUA seriam uma "terceira parte em que os dois lados devem confiar".IRÃ, GUANTÁNAMO E BUSHDurante a entrevista, Obama foi também incisivo em relação à ameaça iraniana. "O Irã será um dos nossos maiores desafios", afirmou, reforçando sua preocupação com o programa nuclear iraniano e com o apoio de Teerã a grupos como o palestino Hamas e o libanês Hezbollah - considerados terroristas pelos EUA e pela União Europeia. Caso o Irã conseguisse produzir armamento nuclear, a região poderia viver uma "corrida armamentista", disse.O presidente eleito reforçou seu compromisso de campanha com o fechamento da controvertida prisão americana na Base Naval de Guantánamo, em Cuba, onde estão detidos suspeitos de terrorismo. Será "difícil", entretanto, fechar a prisão nos primeiros cem dias de seu governo, ressalvou. "Não quero ser ambíguo: fecharemos Guantánamo e queremos estar seguros de que os procedimentos empregados respeitem nossa Constituição."Obama ainda afirmou que não descarta a proposta de julgar funcionários do governo Bush por violação dos direitos humanos. "Estamos avaliando a questão dos interrogatórios e detenções (de acusados de terrorismo)", declarou, "e acreditamos que ninguém pode estar acima da lei".MODELONa noite de sábado, Obama e sua família realizaram uma visita imprevista ao memorial do ex-presidente Abraham Lincoln, um dos principais pontos turísticos de Washington. Responsável pela união americana e pelo fim da escravidão, Lincoln é considerado um modelo por Obama.FRASESBarack Obama Presidente eleito dos EUA"O que estou fazendo agora é organizar uma equipe para que, no dia 20, tenhamos as melhores pessoas se dedicando imediatamente ao processo de paz no Oriente Médio""Se olharmos não apenas o governo Bush, mas também a administração Clinton, veremos linhas gerais de abordagem similar""Não quero ser ambíguo: fecharemos Guantánamo e queremos estar seguros de que os procedimentos empregados respeitem nossa Constituição""Estamos avaliando a questão dos interrogatórios e detenções (de acusados de terrorismo). Ninguém pode estar acima da lei"

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