Obama não investigará torturas feitas pela CIA

O presidente dos EUA, Barack Obama, afirmou ontem que seu governo não vai processar os funcionários da CIA, a principal agência de inteligência do país, que torturaram suspeitos de terrorismo durante interrogatórios. Em nota, Obama reiterou que é contra uma investigação sobre o tema, dizendo que o momento é de "reflexão, não de retaliação".A declaração de Obama foi feita no mesmo dia em que o Departamento de Justiça divulgou memorandos, expedidos entre 2002 e 2005, que descrevem alguns dos métodos severos de interrogatório autorizados pela CIA, como privação de sono e exposição a temperaturas extremas. Uma das técnicas, que começou a ser aplicada em agosto de 2002, recomendava soltar insetos nas celas, supostamente para deixar os prisioneiros mais vulneráveis. "Interrogatórios podem combinar simulações de afogamentos com posições estressantes, tapa, insultos ou golpes abdominais", diz um parecer de 2005, assinado por um funcionário de alto escalação do Departamento de Justiça. As técnicas usadas pela CIA em interrogatórios a supostos terroristas eram alguns dos segredos mais bem guardados do governo do ex-presidente George W. Bush. Os aliados do ex-presidente alegavam que o assunto era uma questão de segurança nacional. No entanto, para alguns funcionários do governo de Obama, as técnicas não passam de simples tortura. Agentes da CIA temem que a divulgação dos documentos leve a abertura de investigações no Congresso.

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