REUTERS/Carlos Garcia Rawlins
REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

Obama ouve críticas duras sobre a relação com a Venezuela

Países latino-americanos criticam sanções contra o regime de Maduro

Lisandra Paraguassu, Cláudia Trevisan, enviadas especiais , O Estado de S. Paulo

11 de abril de 2015 | 15h49

CIDADE DO PANAMÁ- Reduzida a tensão com Cuba, os ataques aos Estados Unidos dessa vez foram causados pelos problemas americanos com a Venezuela. Desde a crítica leve feita pela presidente Dilma Rousseff, até os ataques pesados de Argentina, Equador e o próprio presidente venezuelano, Nicolás Maduro, as declaração da maior parte dos países latino-americanos condenou as sanções. Em seu discurso, Maduro chegou a acusar publicamente os Estados Unidos de armar um golpe de Estado e tentar matá-lo. 


“A embaixada dos Estados Unidos preparou um golpe de estado para me matar. A Venezuela está baixo agressões e ameaças”, discursou. Maduro chegou a afirmar que queria a paz e estava disposto a conversar, mesmo depois das acusações, e que respeitava Obama, apesar de não confiar no presidente americano. “Não passe à história como passou George W. Bush, que passou para a história apoiando o golpe contra o comandante Chávez”, disse. “Falemos e resolvemos o que se tem de resolver em paz”.

O presidente americano não estava no plenário enquanto Maduro falava. Havia se retirado para um encontro bilateral com o primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper, e depois com o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos. Do lado de fora, venezuelanos que vivem no Panamá, fizeram um panelaço durante boa parte do discurso, semelhantes aos realizados contra pronunciamentos da presidente Dilma Rousseff no Brasil. O protesto também aconteceu na noite de ontem, quando Maduro chegou ao Centro de Convenções onde aconteceu a abertura da Cúpula.

O tom dos ataques contra os Estados Unidos foi duro nos discursos de Cristina Kirchner, da Argentina, e Rafael Corrêa, do Equador, que assumiram a posição de defesa da Venezuela. O principal alvo das críticas é o decreto americano que classifica o país como ameaça à segurança interna dos Estados Unidos. 

Mesmo Raúl Castro, que fez um discurso em tom mais leve que o usual, atacou a relação americana com a Venezuela. “A Venezuela está passando pelos mesmos caminhos que passamos e sofrendo as mesas agressões que sofremos”, disse. 

Corrêa fez um violento ataque ao sistema interamericano e propôs um novo modelo, que reúna o Sul na Comidade de Estados Latino-Americanos (Celac) e o Norte em outro bloco. A Organização de Estados América (OEA) serviria para discussões eventuais entre ambos. O presidente equatoriano também atacou a defesa dos direitos humanos feita pelos Estados Unidos e disse que os avanços sociais são o mais importante. Segundo ele, a ideia de liberdade de imprensa atende aos interesses dos donos de jornais e das elites e das elites da região e afirmou que a imprensa da América Latina é “ruim”.

 Em resposta, Obama defendeu o fortalecimento da sociedade civil, os princípios democráticos e os direitos humanos. Com ironia, disse que não tinha tanta confiança em si mesmo para definir que tipo de imprensa é boa ou ruim e que não acreditava em um sistema que dê esse poder a um governante.


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