Obama parte para ataque contra rival republicano

Um dia após debate do qual se saiu melhor, líder acusa Romney de 'não ser confiável'

DENISE CHRISPIM MARIN , ENVIADA ESPECIAL , BOCA RATON, FLÓRIDA, O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2012 | 03h07

Aclamado vencedor do último debate presidencial nos EUA, o candidato democrata à reeleição, Barack Obama, não perdeu tempo para ecoar seus mais recentes ataques ao republicano Mitt Romney e imprimir mais agressividade na reta final da disputa pela Casa Branca.

Ontem, passadas menos de 12 horas do embate de Boca Raton, Obama voltou a desqualificar seu oponente para a função de presidente dos EUA, ao acusá-lo de "não ser confiável". O republicano preferiu evitar o confronto verbal. "Não há assunto mais sério numa campanha presidencial que a confiança. Tudo o que ele está fazendo agora é esconder suas posições reais para vencer as eleições", atacou Obama, num comício em Delray Beach, na Flórida.

"Se você diz que ama os carros americanos num debate, mas escreve um artigo chamado 'Deixe Detroit falir', você deve ter 'Romnésia'. Eu lembro que o Obamacare cobre doenças preexistentes", ironizou, ao mencionar o recente abandono de posições mais conservadoras por seu oponente e alfinetá-lo por sua promessa de reverter a reforma do sistema de saúde.

Obama repetiu o discurso em Ohio e tende a mantê-lo na sua jornada por outros três Estados até a noite de hoje. Romney, em Henderson, Nevada, tentou se esquivar dos ataques ao insistir que está em situação mais confortável para vencer a eleição.

"Esses debates tiveram um peso na campanha, não há dúvidas. A campanha dele (Obama) está fazendo água", sustentou Romney. "Não seria bom ter na Casa Branca um criador de empregos?", completou Paul Ryan, seu companheiro de chapa.

A agressividade cresceu também nos bastidores, de onde assessores de Obama emergiram com ataques ainda mais fortes contra Romney. David Axelrod, estrategista da campanha democrata, chegou a associar a guinada de Romney para o centro à fala de um "papagaio".

Obama conseguiu, na visão de analistas, desmontar os argumentos de Romney para aumentar em US$ 2 trilhões o orçamento de defesa durante o debate de segunda-feira. No confronto, o republicano admitiu acertos da política externa do atual governo e não apresentou uma agenda alternativa para os EUA - buscou apenas evitar gafes.

Todas as pesquisas de opinião deram a Obama sua segunda vitória na série de três debates. No entanto, a apatia do presidente no primeiro deles se reflete até hoje na queda de sua popularidade em Estados-chave, segundo o diretor da Cincinnati University, Richard Hartnett.

Na noite de segunda-feira, ele reuniu 130 estudantes para assistir ao debate e comentá-lo depois. A maioria, relatou ao Estado, percebeu a diferença de estilo e retórica dos candidatos. "Os dois seguem os mesmos princípios neoliberais na esfera internacional e mostraram diferenças apenas em questões marginais. Romney não ofereceu uma posição alternativa, Obama manteve-se confiante em suas posições", avaliou.

Voluntária das campanhas presidenciais democratas e de movimentos em favor dos direitos civis desde 1974, Rosetta Rolle, de 89 anos, perdeu a hora do comício de Obama. Do lado de fora do estádio, amparada no seu andador, a empregada doméstica aposentada afirmou ser importante a reeleição de Obama para a preservação dos programas de federais de saúde direcionados aos aposentados (Medicare) e aos mais pobres e deficientes (Medicaid). Mas, acima de tudo, a preservação de Obama na Casa Branca reforçaria a imagem dos EUA como o país da liberdade e da igualdade racial, em sua opinião. "Muitas pessoas morreram por isso", afirmou.

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